Os medicamentos foram os principais responsáveis pela alta de 0,46% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação e que foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Depois do anúncio de reajuste anual para remédios entre 2,70% e 6,31% no fim de março, o item teve aumento de 0,93% em abril e de 2,94% neste mês, o que representa um acréscimo de 4,18% sobre o valor anterior. Mesmo assim, a baixa no preço dos alimentos no mês fez com que o IPCA-15 ficasse menor do que o de abril, que foi de 0,51%.
Como a taxa de maio de 2012 também havia sido maior, de 0,51%, o acumulado da inflação em 12 meses caiu de 6,51% para 6,46%. O índice voltou a ficar abaixo do teto da meta do governo federal, que é de 6,50%, com o centro da meta em 4,50%. Porém, o IPCA-15 medido de janeiro a maio deste ano está em 3,06%, consideravelmente acima dos 2,39% do mesmo período do ano passado.
Professor de economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Azenil Staviski afirma que, apesar da repercussão positiva pela queda sobre abril, o índice ainda é preocupante pelo acumulado em 2013. "Neste ano já está em 3,06% e, se a inflação mantiver esse comportamento até o fim do ano, ficará acima de 7%, o que é grave", diz. Ele acredita que é preciso manter ligado o sinal de alerta e que há risco de o Comitê de Política Monetária (Copom) elevar novamente a taxa de juros básica, a Selic, na próxima reunião.
Para o professor de economia José Moraes Neto, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), é preciso entender como o governo federal vê o patamar em que a inflação está. Ele diz que as políticas para forçar a baixa da taxa não têm dado resultado, mas que o índice em torno de 6% tem sido considerado como aceitável. Desde a crise de 2008, ele conta que a inflação começou a subir e tem ficado entre 5% e 6%, mas que, por outro lado, os índices de emprego são mantidos em alta. "Existe um clamor do mercado pelo aumento de taxas de juros, críticas ao corte de gastos anunciado hoje (ontem) pelo governo por ser menor do que em outros anos, mas se fizer isso (para conter a inflação) poderia colocar o País em recessão."

Alimentos em queda
Embora tenha ocorrido inflação de 0,47% nos preços dos alimentos, a alta foi menor do que o 1% de abril, o que mostra uma tendência de queda nos preços. O tomate (-12,42%) e o açúcar refinado (-6,46%) tiveram as maiores influências para a redução, enquanto o feijão de cor (10,13%) e a cebola (5,63%) sofreram alta.
No caso do grupo saúde e cuidados pessoais, que inclui os medicamentos, a taxa passou de 0,63% em abril para 1,30% em maio, o que fez com que a categoria passasse a ter o maior peso na inflação do mês. Também contribuíram para a alta o vestuário, que foi de 0,44% para 0,76%, e a habitação, que passou de 0,68% para 0,72%.
Por região metropolitana, Curitiba teve a a sexta maior variação, com 0,43%. Recife ficou com a maior, com 0,76%, e Salvador, com a menor, de 0,23%.

Imagem ilustrativa da imagem Remédios puxam alta de 0,46% de prévia da inflação
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