Remédios e cesta básica derrubam poder de compra do londrinense
O reajuste de 4,33% no preço dos medicamentos, que passou a vigorar em todo o País nesta segunda-feira (1º), e o valor da cesta básica, que acumula alta de 15,2% no trimestre, vão pesar no orçamento das famílias londrinenses neste mês. Economista Marcos Rambalducci afirma que para absorver a alta de itens imprescindíveis, população assalariada deverá abrir mão de outros produtos, o que impacta diretamente no poder de compra. Especialista diz que forte concorrência pode fazer farmácias absorverem parte do aumento e aconselha consumidores a pesquisar preços
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de abril de 2019
O reajuste de 4,33% no preço dos medicamentos, que passou a vigorar em todo o País nesta segunda-feira (1º), e o valor da cesta básica, que acumula alta de 15,2% no trimestre, vão pesar no orçamento das famílias londrinenses neste mês. Economista Marcos Rambalducci afirma que para absorver a alta de itens imprescindíveis, população assalariada deverá abrir mão de outros produtos, o que impacta diretamente no poder de compra. Especialista diz que forte concorrência pode fazer farmácias absorverem parte do aumento e aconselha consumidores a pesquisar preços
Aline Machado Parodi - Grupo Folha 

Dois aumentos vão pesar no orçamento das famílias londrinenses em abril: o reajustes dos remédios e a alta da cesta básica. Começou a vigorar nesta segunda-feira (1) o reajuste de 4,33% no preço dos medicamentos vendidos no país. O valor definido pela Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) ficou acima da inflação, que fechou o ano em 3,75%. A cesta básica acumula no trimestre alta de 15,2%.
“Esses reajustes impactam as baixas rendas. Parece pequeno, mas afetam produtos que não têm como a população abrir mão: comida e remédio”, comentou Marcos Rambalducci, economista responsável pela pesquisa da Cesta Básica da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e colunista da FOLHA.
O economista afirma que para absorver a alta dos remédios, a população assalariada terá que equilibrar o orçamento com cortes em outros produtos. “A pessoa vai ter que diminuir o consumo de todos os outros produtos. Ela está perdendo o poder de compra”, disse.
De acordo com o Ministério da Saúde, o percentual é o teto permitido de reajuste. Cada empresa pode decidir se vai aplicar o índice total ou menor. Os valores valem para os medicamentos vendidos com receita.
Rambalducci acredita que as farmácias absorverão parte deste aumento. “O consumidor precisa ficar atento ao valor que as farmácias repassarão, pois a concorrência está grande e elas têm a intenção de manter o cliente fiel”, argumentou.
Ainda segundo a pasta, o cálculo é feito com base em fatores como a inflação dos últimos 12 meses – o IPCA, a produtividade das indústrias de remédios, o câmbio e a tarifa de energia elétrica e a concorrência de mercado.
Os consumidores que compram remédios de uso contínuos podem conseguir descontos fazendo o cadastro na indústria farmacêutica do medicamento.
O aposentado Maurício Chevalier Dale Vedove, 62, utiliza o cadastro da indústria para economizar na compra do medicamento para diabetes. “Com o cadastro o meu remédio cai de R$ 200 para R$ 150. É uma boa economia”, contou. A pesquisa de preço também é essencial para economizar.
A dona de casa Ivonete Alves de Almeida, 59, ficou preocupada com a alta. Ela gasta quase R$ 200 por mês na farmácia. “Pensa o que daria para colocar dentro de casa com esse valor. E agora vai subir mais?”, questionou. A dona de casa recebe um salário-mínimo e cuida dos cinco netos e do filho paraplégico.
A diarista Susana Aparecida de Freitas, 45, foi surpreendida pelo aumento. “Vim comprar umas coisas no sábado, mas esqueci meu cartão e não levei. Hoje está tudo mais caro”, reclamou. Ela afirmou que não consegue repassar os aumentos para o valor da sua diária. “Tentei repassar a alta do passe (passagem do transporte público) e não consegui. A dos remédios não tem como também”, disse.
Para o Sindicato do Comércio Varejista de Farmácias do Paraná, valor reajustado ficou dentro da expectativa do mercado. “Este ano, tivemos um pequeno ganho real. Mas era o esperado”, disse Edenir Zandoná Júnior. Segundo ele, houve um incremento nas vendas em março em torno de 20%, em função do anúncio da alta em abril. Mas de acordo com ele, o setor acumula perdas neste começo de ano. Fechou janeiro com queda de 11% nas vendas e, em fevereiro, de 20%.
CESTA BÁSICA
A inflação sobre os alimentos disparou nos primeiros três meses de 2019. A pesquisa da cesta básica indica que o aumento no preço da comida chegou a 21,9% em um ano, ao fechar o mês de março, confirmando o repique detectado no mês de fevereiro, que chegou a 15,2%.
Com a alta de março, o valor médio dos 13 produtos da cesta básica, para uma pessoa, chegou a R$ 399,02, um incremento de 4,85% em relação ao mês anterior, quando custavam, em média, R$ 380,58.
Entretanto, o valor fica bem acima do cotado em março de 2018, de R$ 330,31 (aumento de 20,8%).Em abril de 2018, os mesmos produtos custavam, em média, R$ 327,42 (alta de 21,9% em um ano). (Colaborou Luis Fernando Wiltemburg)



