São Paulo - Na avaliação de um interlocutor do presidente Lula, há uma enorme relutância em todo o governo em assumir propostas impopulares. Ao vencer uma eleição difícil depois de passar quase dois anos apanhando, o presidente resiste a assumir mais desgastes propondo, por exemplo, aumentar a idade mínima para a aposentadoria, hoje em 55 anos para mulheres e 60 para homens. Ou impondo qualquer tipo de restrição às verbas para a área social - uma das poucas que poderia ser cortada, pois a ordem é preservar as verbas para investimento.
Se é possível acelerar o crescimento sem sacrifícios nem medidas impopulares, é uma pergunta que divide o governo. O Ministério da Fazenda, que coordena a elaboração do pacote, está ''rachado'' entre os que defendem ajustes profundos e os que confiam no efeito de medidas pontuais. Essa divisão ficou clara quando o secretário-executivo do ministério, Bernard Appy, defendeu uma reforma constitucional da Previdência, alterando a idade mínima e o fim da regra que vincula o menor valor dos benefícios ao salário mínimo.
Mantega já havia dito que não considerava necessária uma reforma constitucional da Previdência e que melhorias na gestão poderiam combater o rombo. Essa divisão se estende à área técnica. Ao mesmo tempo, porém, o ministro da Fazenda ironizou as conclusões do consultor Vicente Falconi, que apontam para uma economia de R$ 50 bilhões num período de três a quatro anos, com medidas na área de gestão. Ele comentou que, se fossem efetivas, as medidas seriam ''o descobrimento da América''. Segundo um técnico, há um ''racha'' semelhante na discussão sobre o que fazer pelo lado das despesas. Uma parte defende cortes profundos na despesa e outra, um ajuste mais gradual. (A.E.)

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