Relatório surpreende e derruba mercado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de novembro de 2000
Oswaldo Petrin De Londrina 
O relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) surpreendeu o mercado da soja, ontem, ao divulgar uma quebra na safra norte-americana maior do que a prevista. O relatório do Usda reduziu a produção americana de 76,82 (na sua previsão de em outubro) para 75,58 milhões de t, na previsão divulgada ontem.
Os novos números da safra 2000/1 dos Estados Unidos e dos principais países produtores derrubaram os preços na Bolsa de Chicago. A soja recuou 1,42%.
Nos Estados Unidos, a previsão era de que o Usda divulgasse uma safra de 76,04 milhões de toneladas. Os dados de outubro indicavam 76,83 milhões.
O relatório contrariou a expectitva do mercado que jamais imaginava que fosse reduzir as previsões de exportação e de esmagamento. A aposta do mercado era que fosse reduzido o estoque final, segundo Camilo Motter, analista de mercado, da Granoeste, de Cascavel. Mas o Usda fez isto porque aumentou muito a safra da América Latina. No caso do Brasil, a previsão subiu de 33,5 milhões para 34,5 milhão de toneladas e a produção da Argentina de 22,6 para 23 milhões.
Segundo Motter, a soja brasileira tende a ser competitiva e por isso o governo americano reduziiu as exportações e esmagamento. Em resumo, o Usda reduziu a produção americana; aumento a produção do Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia e praticamente manteve os estoques finais (31/8/2001) reduzidos em apenas 400 mil toneladas: de 9,93 milhões em outubro para 9,53 mihões agora em novembro.
Segundo Motter, este relatorio de novembro encerra o ciclo de grandes novidades e informações bombásticas deste ano na área de soja. A última grande notícia na área de soja este ano uma vez que o relatório de dezembro tradicionalmente não traz grandes novidades. Ja o relatório de janeiro sim sempre dá margem a especulações porque apresenta o numero final de safra. Logo as atenções se voltam para o comportamento do clima na América do Sul, especialmente com relação às safras do Brasil e Argentina.
O mercado, seguno o analista, vai girar em torno dos números que estamos praticando esta semana, entre R$ 18,80 e R$ 19,00 no Oeste, variando entre 10 e 20 centavos para cima ou para baixo nas demais regiões. Em dólar Paranaguá, deve ficar em torno de US$ 10,10/saca.
Segundo o Usda, a evolução da produção mundial de soja será de 6%, enquanto o consumo deve aumentar apenas 3%. O consumo mundial de soja sobe para 165,5 milhões de toneladas, contra 161 milhões na safra anterior. As importações chinesas devem somar 7,5 milhões de toneladas.


