Relatório nacional sobre transgênicos abre polêmica
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sexta-feira, 25 de junho de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
São Paulo - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, convocou ontem os empresários do setor de agronegócios a formarem um lobby para acelerar a votação do projeto de lei de biossegurança. Segundo ele, a próxima safra de soja transgênica (geneticamente modificada) enfrentará problemas ''insolúveis'' se a lei de biossegurança continuar parada no Congresso Nacional.
''Não basta meter o pau (no governo). O mundo moderno funciona em cima do que a opinião pública pensa. O lobby é essencial para as coisas funcionarem. É preciso fazer lobby sobre o Parlamento'', disse ontem durante cerimônia de encerramento do 3º Congresso Brasileiro de Agribusiness, em São Paulo.
O ministro informou que o projeto foi enviado para o Congresso em outubro de 2003 e até agora não foi aprovado. Rodrigues alertou que sem a aprovação dessa lei, o plantio de soja transgênica no país será considerado ilegal. ''Se não houver lei, vai haver um vazio legal impedindo o plantio de soja. O que existe hoje é uma MP para a safra do ano passado.''
O presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Carlo Lovatelli, disse que o setor já está se mobilizando para aprovar um substitutivo ao projeto de biossegurança em tramitação. ''Já estamos fazendo lobby há bastante tempo. Não (para aprovar) esse que está aí, que na minha modesta opinião é muito ruim. Mas um substitutivo, que já está lá.''
Lovatelli confirmou que sem a aprovação do projeto de biossegurança, o plantio da próxima soja transgênica, que começa em setembro, será considerado ilegal. ''São Pedro é o único que não empurra o prato com a barriga, não espera. A partir de setembro, tem de colocar a semente na terra. Se não houver aparato legal e alguma ferramenta jurídica, nós não vamos poder plantar soja transgênica a partir de setembro'', disse.


