Relatório indica que Copel quer vender ações da Sanepar
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de dezembro de 2001
Vânia Casado<br>De Curitiba 
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) quer vender suas ações na Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para não complicar o leilão da estatal de energia. A informação consta na edição de ontem do boletim Relatório Reservado. De acordo com a publicação, o mercado financeiro está de olho na mobilização do governo do Estado para venda da empresa. A Copel tem participação de 15% do capital social da Dominó Holding. A holding que controla a Sanepar é formada pelo grupo francês Vivendi, Andrade Gutierrez, Banco Opportunity e Copel.
Pela sua participação na Dominó, a Copel adquiriu 39,71% do capital votante da empresa de saneamento do Paraná. A intenção da Copel seria emitir debêntures conversíveis nas ações que têm na Sanepar, informou o Relatório Reservado, que circula no mercado financeiro.
Enquanto o governo se articula para viabilizar uma terceira tentativa de venda da Copel, a concordata da multinacional Enron, empresa do setor elétrico que controla a Elektro, distribuidora de energia em São Paulo, pode comprometer o leilão da estatal. ''O leilão da Copel pode ser prejudicado pela falta de investidores internacionais de peso'', afirmou o analista Marcos Severini, do Banco Sudameris.
Severini acredita que após o pedido de concordata da Enron, o mercado internacional fica mais seletivo para a compra de outros ativos do setor elétrico. ''Nesse sentido, isso funciona como um empecilho a mais para a entrada de novos grupos que poderiam disputar a compra da Copel'', avaliou. A Enron é uma trading do setor de energia, gás e materiais de telecomunicações, que fatura US$ 100 bilhões por ano com comercialização de energia.
No front interno, os grupos interessados em comprar a Copel continuam aguardando notícias à respeito da desregulamentação do setor elétrico, que pode ocorrer a partir de 2003. Se isso ocorrer, as empresas geradoras e distribuidoras poderão dobrar o faturamento com a venda de energia. Atualmente ela é vendida em torno de US$ 20 o megawatt. ''Com a desregulamentação, o valor da energia seria de US$ 36 o megawatt'', disse Severini.


