Relatório é equivocado, diz BNDES
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segunda-feira, 10 de março de 1997
Agência Estado 
RIO - O relatório final da Comissão Externa da Câmara, criada para avaliar o processo de privatização da Vale do Rio Doce, é equivocado, segundo o chefe da área de Privatização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Libergoti. Ele contesta a conclusão do estudo da comissão, presidida pelo deputado Miro Teixeira (PMDB-RJ), de que o preço mínimo da estatal deveria ser de R$ 12 bilhões, e não R$ 10,3 bilhões como foi fixado pelo Conselho Nacional de Desestatização (CND).
A avaliação da comissão foi feita com base no fato de que o preço mínimo não incluiu a existência de duas jazidas de urânio em Carajás. Isso não está correto, afirmou Libergoti. Não há reservas de urânio, pode haver apenas incidência de minério na região, o que não garante a existência de reservas.
Segundo ele, só pode-se falar em reservas após a avaliação financeira da mina. Ou seja, depois de estudos demonstrando a viabilidade da exploração mineral na região. O relatório esqueceu de dizer que a Vale tem riquezas não-mensuráveis e, por isso, o governo criou dois instrumentos de remuneração aos atuais acionistas: as debêntures e o contrato de risco que será assinado entre a estatal e o BNDES, disse.
Esse contrato prevê que o BNDES e Vale vão desenvolver juntos um projeto de pesquisa por cinco anos em mais de 100 áreas consideradas promissoras. A pesquisa está calculada em US$ 400 milhões, gastos em cinco anos. O minério encontrado será dividido entre a estatal e o BNDES.
Denúncia Quando interrogado sobre a denúncia do deputado Teixeira sobre possíveis informações privilegiadas que a Merrill Lynch, líder do consórcio responsável pela avaliação da Vale, teria dado à Anglo American, Libergoti afirmou: A denúncia feita pelo deputado Miro Teixeira (PMDB-RJ) não tem substância. Posso garantir que a Merrill Lynch não vazou informações sobre a Vale porque com isso decretaria o fim da sua credibilidade no mercado.
A Anglo é uma das empresas interessadas em arrematar a estatal no leilão de privatização marcado para o dia 29 de abril. Na última sexta-feira a empresa de consultoria norteamericana enviou ao BNDES três cartas. Uma delas redigida por sua própria diretoria, outra da bolsa de Valores de Joannesburgo (África do Sul) e outra da empresa SBH, o pivô da denúncia. Teixeira declarara que a Merrill havia comprado a SBH, da África do Sul, que presta serviços a Anglo.


