Com a divulgação do Relatório mensal de oferta e demanda, na última sexta-feira, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), o mercado de soja se retrai e vê poucas perspectivas de melhora de preços no curto prazo. Ontem foi um bom exemplo: a semana começou com poucos negócios em todas as praças paranaenses, refletindo o comportamento do mercado internacional.
A produção norte-americana foi reavaliada em 79,12 milhões de toneladas (em setembro, 77,12 milhões de t), recorde acompanhado pelas previsões da safras brasileira e argentina: 41,50 milhões de t e 27 milhões de t, respectivamente. Já a produção mundial, prevista em setembro, em 175,84 milhões de t, passou a ser de 180,67 milhões de t, no último relatório do USDA.
O estoque final norte-americano está previsto em 9,39 milhões de t (a previsão anterior indicava 6,94 milhões de t), com estoque mundial de 29,04 milhões de t. Os números preocupam pois o mercado considera favoráveis para formação de preços a seguinte situação: um estoque mundial que fosse abaixo de 20 milhões de t, e um estoque norte-americano abaixo de 7 milhões. Porém, o que o relatório apresenta são números bem acima desses patamares.
''Esses números definitivamente 'mataram' as esperanças de qualquer reação positiva de preços no curto prazo, e o mercado foi realmente surpreendido com números tão negativos'', comentou o corretor de soja, Camilo Motter, da Granoeste.
Outro fator negativo, apontado por Motter, é o ''clima de guerra'' que no mundo mundo desde do dia 11 de setembro, data dos atentados nos Estados Unidos. ''Há um quadro de incerteza no comércio mundial; é inevitável a diminuição de fluxo de compra e venda'', disse. Cenário confirmado pelos números baixistas dos embarques norte-americanos do dia 1º de setembro a 10 de outubro: 1,72 milhões de t - sendo que no mesmo período do ano passado haviam sido embarcados 3,02 milhões de t. ''Este ano temos um mercado menos enxuto e os atentados terroristas são um dos principais fatores que influenciam a queda da comercialização'', ressaltou Motter.
Quanto ao mercado interno, a demanda do país está sendo suficiente para balizar preços melhores do que os internacionais (ontem, em torno de R$ 29,50/saca), mas será inevitável que o excedente de esmagamento, que pode ser vendido externamente como óleo, sofra as consequências dos preços baixos da commodity.
Ontem, Bolsa de Chicago fechou em baixa de 6,25 cents de dólar para contratos com vencimento em novembro (US$ 4,2925/bushel) e em baixa de 7,25 cents de dólar para contratos de janeiro (US$ 4,3475/bushel). Na última sexta-feira, baixa de 13 cents de dólar nos contratos com vencimento em novembro: US$ 4,3550/bushel.

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