O relatório de outubro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) sobre a safra norte-americana de soja, divulgado ontem, confundiu o mercado: ele reduziu a produção - dentro da expectativa dos operadores -, porém, surpreendentemente, manteve altos os números do estoque final, ao mesmo tempo em que ajustou para cima as previsões de consumo. São variáveis que exercem forte influência no mercado, só que uma compensa a outra, estabelecendo um comportamento baixista.
Segundo o Usda, a colheita norte-americana, que está no final, será de 76,8 milhões de toneladas, 2,09 milhões de t a menos do que o previsto no relatório anterior. Este número ficou dentro da expectativa do mercado e confirmou previsões das consultorias do setor privado, cujas dados foram divulgadas por este jornal dias atrás.
No final da tarde de ontem o mercado se perguntava: por que os preços não reagiram se a previsão recuou mais de 2 milhões de t? Em primeiro lugar, o mercado já aguardava essa redução e os preços já haviam avançado o suficiente por conta desses números. Mas, o que contrapôs a tendência de alta foram os números do estoque final que o Usda manteve altos em comparação expectativa do mercado.
O relatório acabou sendo uma ducha fria, tanto que a Bolsa de Chicago fechou em baixa ontem para todos os meses, inclusive para os contratos de maio, que são indicadores de preço futuro no Brasil.
‘‘O relatório reduziu a produção, aumentou o estoque e reduziu a demanda. Com isso o estoque final dessa temporada permaneceu inalterado. Houve muito barulho para pouco efeito prático’’ - comentou ontem o analista de mercado da Granoeste, de Cascavel, Camilo Motter, ao ser entrevistado por este jornal. Neste momento o peso do estoque final é a variável mais determinante para balizar o mercado, segundo ele.
Outro analista de mercado, Flávio França Júnior, da Safras & Mercado, confirma que o relatório ‘‘esfriou’’ o mercado, embora nesta fase, o mercado interno tende a permanecer lento e apresentar comportamento próprio, independente de Chicago, por várias razões, principalmente pela pequena quantidade disponível.
Tonalidade baixista ‘‘O relatório conferiu uma tonalidade baixista ao mercado porque o grande vetor, o direcionador de preços são os estoques que foram valorizados’’, resumiu.
Ao mesmo tempo, o Usda reduziu a previsão de exportação americana de 27,22 milhões de t, em setembro, para 26,26 milhões de t. em outubro.
Esses numeros se referem à temproada 2000/2001. Esmagamento reduziu em 410 mil toneladas, ou seja de 44.36 milhões de t para 43.95 milhões de t.
No deocrrer de setembro, o Usda havia feito um ajuste no estoque da soja. Passou de 7,2 milhões de t para 7,83 milhões de t., esteé o estoque inicial de soja. Houve um aumento de 630 mi
França acha que os números do consumo americano de soja estão muito baixo. ‘‘É uma questão de política de ajuste’’. Outro fator apontado como negativo pelos técnicos brasileiros foi o aumento nas estimativas de safra na América do Sul. Houve um crescimento das produções no Brasil (mais 700 mil t, podendo chegar a 33,5 milhões) e na Argentina (mais 1,1 milhão, podendo chegar a 22,6 milhões de t).

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