O relatório de oferta e demanda divulgado ontem pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), decepcionou o mercado que esperava por uma grande queda na produção de soja, com possíveis reflexos no estoque final. Os analistas esperavam uma redução de até 1 milhão de toneladas, mas, segundo o relatório, houve uma redução de apenas 200 mil toneladas.
Outro fator que deixou o mercado desapontado foram os números dos estoques trimestrais que também ficaram acima do previsto. Esses números mostram a quantidade de soja existente nos Estados Unidos. Era esperado um estoque de 60,1 milhão de toneladas, porém o relatório mostrou que existem 60,94 milhões de toneladas. Com isto, as cotações na Bolsa de Chicago tiveram forte queda, paralisando o mercado.
Segundo o analista de mercado, Camilo Motter, o relatório do USDA manteve para o Brasil e a Argentina a mesma estimativa de produção divulgada em dezembro, ou seja, 34,5 milhões de toneladas para o Brasil e 23,5 milhões de toneladas para a Argentina. Porém, ele acredita que os dois países tenham uma produção maior. ‘‘O clima favorável na América do Sul deve levar a uma safra recorde de soja’’, ressalta.
Motter explica que no início de dezembro alguns problemas climáticos existentes na Argentina estavam dando sustentação ao mercado, mas as chuvas apareceram e os problemas foram sanados. ‘‘Esse pode ser considerado mais um fator negativo para o mercado. Só deverão acontecer grandes mudanças em relação ao preço da saca da soja se acontecer algum grande problema climático’’, acrescenta.
O analista afirma que outro ponto a ser levado em consideração é a exportação da soja e seus derivados, para países europeus, que sofrem com o problema da vaca louca, e do sudoeste da Ásia, principalmente a China. ‘‘O mercado espera que a Europa confirme as compras adicionais e que a China volte a comprar com mais intensidade, como tem feito nos últimos meses.’’
Motter diz que se realmente acontecer uma supersafra na América do Sul, as exportações deverão aumentar, pois os preços estarão mais competitivos em relação aos praticados nos EUA. ‘‘Não creio que teremos grandes novidades, talvez um aumento nas exportações devido ao melhor preço na América do Sul’’, observou.

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