São Paulo - O crescimento econômico mundial pode ser afetado até 2012 com uma escassez de petróleo e gás natural, segundo o ''Relatório do Mercado Petrolífero - Médio Prazo'', da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), publicado ontem.
De acordo com o relatório, a oferta mundial do petróleo deve ficar mais estreita nos próximos anos do que o anteriormente previsto, com poucas expectativas de reversão nesse quadro - a não ser que o crescimento econômico mundial perca dinamismo.
''Apesar dos quatro anos de altos preços do petróleo, o relatório prevê um aperto cada vez maior no mercado depois de 2010, com a capacidade ociosa da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) caindo a níveis mínimos até 2012'', diz o documento.
Para este ano, a expectativa de consumo diário global de petróleo é de 86,13 milhões de barris; em 2012, essa demanda deve crescer para 95,82 milhões de barris diários - a previsão da agência é baseada em uma expansão média de 4,5% ao ano da economia global, segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Se a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial for reduzida para 3,2% entre 2008 e 2012, o crescimento anual da demanda por petróleo seria reduzido de 2,2% para 1,7% - a demanda sobre o petróleo produzido pelos países da Opep cairia em cerca de 2 milhões de barris por dia até 2012.
''Isso apenas adiaria em um ano o momento no qual a demanda por petróleo superaria o crescimento da capacidade mundial de produção'', dize o relatório. ''Na verdade, qualquer alívio sobre o aperto esperado pode ser ainda menor que o sugerido nessa estimativa.''''As preocupações sobre desequilíbrios na economia mundial - por exemplo, a atual fase de baixa no mercado imobiliário norte-americano - podem acarretar riscos no lado da demanda. No fim, porém, um mercado petrolífero mais apertado reapareceria no fim do período previsto'', relata o documento.
Na América Latina, a demanda por petróleo deve crescer em média 2,3% até 2012, chegando a 6,2 milhões de barris por dia - com destaque na região para o Brasil, que deverá responder por 42,3% da demanda total por petróleo na região no período.
Na China, a demanda deve crescer 5,6% ao ano para quase 10 milhões de barris por dia até 2012, consolidando-se na segunda posição entre os maiores consumidores mundiais da commodity, atrás apenas dos EUA - até 2012, o país deverá responder por 83% da demanda na América do Norte (com 8,7% do Canadá e 8,3% do México).

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