Nos dias de hoje, as empresas vêem o profissional como um todo e não apenas o seu lado técnico. Diante disso, os especialistas em recursos humanos destacam a importância dos profissionais que saibam administrar necessidades, conflitos e pessoas. Segundo a psicóloga e especialista na área de desenvolvimento e treinamento profissional, Rosana Bueno, as empresas perceberam que o relacionamento de seus profissionais interfere diretamente na satisfação dos seus clientes internos (demais funcionários) e externos e, consequentemente, na produção e qualidade dos seus produtos e serviços. Isso, para elas, significa menor ou maior lucro.
‘‘Liderança é saber delegar poder, e não apenas mandar’’, afirma Rosana, para quem relacionar-se é uma arte que envolve compreender e se fazer compreendido. ‘‘Fazer-se entender, liderar com equilíbrio e participação, compreender fraquezas e vaidades, ser sensível às necessidades diferentes e saber lidar com conflitos são as características que nos distinguem e nos levam à ascensão profissional e pessoal’’, acrescenta a psicóloga.
Por isso, continua Rosana, entre as características que as empresas exigem cada vez mais de seus profissionais estão a capacidade de saber trabalhar em equilíbrio, conhecer os conceitos modernos de gestão e saber aplicá-los, ter equilíbrio emocional e criar empatia com os colaboradores. Para ela, as maiores dificuldades de relacionamento estão na percepção da realidade de formas distintas. ‘‘Precisamos estar alerta para respeitar as individualidades’’, adverte.
Segundo a psicóloga, todo profissional precisa aprender a conhecer as pessoas, pois são elas que o levam ao sucesso em todos os aspectos da vida. ‘‘Tudo o que fizemos sempre estará ligado a alguém’’. Ela também considera fundamental reconhecer as próprias limitações e o quanto elas podem interferir em nossos relacionamentos. ‘‘A única forma de descobrir os limites é o autoconhecimento’’, explica, acrescentando que o profissional também deve desenvolver habilidades para relacionar-se com mais facilidade.
Uma das formas para que isso aconteça é frequentar cursos voltados para o desenvolvimento pessoal, até mesmo por conta própria. ‘‘Administrar-se é a palavra-chave, não se deve ficar aguardando a empresa investir em nós, somos os donos de nossa carreira’’, afirma Rosana.
Ainda de acordo com a psicóloga, a única coisa em comum entre os profissionais de sucesso e os fracassados são os objetivos. ‘‘A diferença é que, para os de sucesso, o objetivo requer ação e para os fracassados, sorte, o que eles não tiveram’’.
Rosana adverte ainda que ‘‘é importante estar equilibrado em todos os aspectos, ou seja, na saúde, nas finanças, na vida familiar e no convívio na empresa’’. Segundo ela, um dos pontos fundamentais para esse equilíbrio é que o profissional faça aquilo que gosta. ‘‘Seria contraditório dizer que podemos produzir bem quando somos infelizes ou, então, quando não estamos bem conosco’’.
Ainda conforme a diretora de RH, a geração de profissionais que ingressou no mercado de trabalho apenas por dinheiro está com seus dias contados. Hoje, as empresas buscam talentos que, além da remuneração, também trabalham por prazer. ‘‘A recompensa não é apenas financeira, mas também está ligada à realização pessoal do profissional’’. Além disso, acrescenta, crescer na carreira hoje não quer dizer ter apenas uma ascensão vertical, ou seja, subir na escala hierárquica da empresa. ‘‘Muitas vezes, crescer pode significar dar passos para os lados ou até mesmo para trás’’.
Em outras palavras, um excelente técnico pode não ser um ótimo executivo. Se um profissional com reconhecida competência técnica for promovido e não corresponder às expectativas, nada impede que ele retroceda, até na mesma empresa, e cresça novamente como técnico.

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