Relação dívida/PIB fica estável
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2003
Agência Folha 
Rio A relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto) brasileira deve se manter em torno de 55% do PIB em 2003, segundo estimativas do diretor de política econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn. O cenário externo, com a perspectiva de uma guerra entre Estados Unidos e Iraque, é o que deverá influenciar mais o endividamento.
A estabilidade dessa relação será possível se o PIB brasileiro crescer 2,8%, a inflação calculada pelo Índice Geral de Preços (IGP) da Fundação Getúlio Vargas fique em torno de 12% ao ano e com o cumprimento da meta de superávit primário de 4,25%.
Goldfajn explicou que a expectativa é de que, a partir de 2004, a relação dívida/PIB brasileira comece a registrar queda e chegue em 2011 a 35,81% do PIB.
De acordo com o diretor do BC, atualmente 99% do aumento da dívida pública brasileira são provocados pela taxa de câmbio. Ele disse ainda que, em 2002, o Brasil perdeu US$ 30 bilhões em fluxos de investimentos por causa da crise de confiança que afetou a economia mundial.
''A economia mundial não é mais aquela da época do presidente Clinton (Bill Clinton foi presidente dos EUA de 1992 a 2000). Houve uma redução drástica no fluxo de capitais, principalmente para a América Latina'', comentou.
Goldfajn apresentou também algumas das expectativas do BC para a economia brasileira. Neste ano, o superávit da balança comercial brasileira deverá atingir os US$ 16 bilhões e o déficit em conta corrente tende a recuar dos US$ 7,8 bilhões de 2002 para US$ 5,6 bilhões. O fluxo de investimento estrangeiro direto deve totalizar US$ 15 bilhões em 2003.
Goldfajn acredita que, apesar da perspectiva de baixo crescimento para este ano, o Brasil tem dado sinais de melhora na sua estrutura macroeconômica. ''Estamos, aos poucos, diminuindo a nossa dependência de poupança externa'', disse.


