Relação comercial com africanos é do século 19
Segundo dados apresentados pela Apex, em 2011, Moçambique, Zâmbia e Zimbábue cresceram respectivamente 7,1%, 6,6% e 9,3%. E o Brasil, apenas 2,7%. Em 2015, os mesmos países africanos, na mesma ordem, devem crescer 7,8%, 8% e 4,7%. Angola poderá chegar a 6,6%. Enquanto isso, a média de crescimento do Brasil até 2018 será de 3,9%.
Ricardo Latkani, diretor executivo para o Brasil da Walvis Bay Corridor Group - uma parceria público-privada que envolve governos e empresas da região -, diz que a relação comercial entre Brasil e África é a mesma do século 19. "Não evoluiu nada. Dois terços do que o Brasil exporta para a África são açúcar, carne e soja", afirma.
Os africanos, segundo ele, conhecem do Brasil a indústria básica de alimentos, mas não a de alimentos manufaturados, com alto valor agregado. "A África só será capaz de fornecer 13% dos alimentos industrializados que serão consumidos por sua população em 2015. O Brasil precisa disputar esta diferença", afirma.
Ele ressalta que os países da região compram produtos de outros que estão a 25, 35 dias de distância por navio. "Nós estamos a 7 dias", ressalta. Latkani diz ter conhecido na Namíbia um importadora que compra 15 contêineres de móveis da China por mês. "Eu perguntei por que não comprava do Brasil. Ele disse que nós não produzimos móvel", declara.
Em parceria com a Terra Roxa, ele prepara missões de empresários da região de Londrina para os países da África Austral. "Vamos mostrar o que é produzido aqui", afirma. (N.B.)





