Londres - Desde a confirmação do foco de febre aftosa em um rebanho bovino em Surrey, sul da Inglaterra, na última sexta-feira, sete países já anunciaram embargo e restrições às importações de carnes e seus derivados produzidas no país, além da União Européia (UE). Japão, Estados Unidos, Canadá, Rússia, Coréia do Sul, Emirados Árabes e Nova Zelândia proibiram as importações de animais vivos, carne suína e produtos derivados.
A doença atingiu 39 animais em uma fazenda em Wanborough, em Surrey, a 50 quilômetros de Londres. A Nova Zelândia adotou restrições fitossanitárias nos aeroportos internacionais, que estão equipados com máquinas para detectar qualquer material orgânico na bagagem dos passageiros provenientes do Reino Unido. No sábado, o Japão anunciou o embargo às importações de carne suína do sul da Inglaterra. O país importa apenas 5 toneladas do produto britânico, mas adotou a medida em resposta à descoberta do foco. Ainda no sábado, os Estados Unidos também embargaram as importações de todas as carnes e produtos derivados passíveis de contaminação de febre aftosa.
Por conta da encefalopatia espongiforme (mal da vaca louca), as importações de carne bovina da Grã-Bretanha estão embargadas. O Canadá também embargou as importações de animais vivos e de derivados de todos os tipos de carne. O ministro da Agricultura canadense, Chuck Strahl, afirmou que ''a proteção do rebanho canadense e das indústrias relacionadas a este setor é uma prioridade.''
No sábado, o governo britânico adotou medidas para evitar o avanço da doença altamente contagiosa pelos rebanhos do país. O último foco de aftosa havia sido detectado em 2001. O governo proibiu o transporte de gado, carneiros e suínos por todo o Reino Unido.
''Nossa resposta foi muito mais rápida agora do que em 2001'', afirmou David Coplow, da Associação Britânica de Veterinária. Segundo ele, naquele ano o atraso do governo em proibir o trânsito de animais favoreceu o avanço da doença.
Em 2001, foram confirmados cerca de 2.030 casos da doença em todo o país. Cerca de seis milhões de animais foram abatidos, principalmente carneiros. As perdas no setor agrícola e na cadeia produtiva de alimentos no ano somaram 3,1 bilhões de libras esterlinas, enquanto turismo e outros segmentos com negócios no setor perdera 5 bilhões de libras esterlinas.
Com a descoberta do foco, o primeiro-ministro Gordon Brown veio a público afirmar que as autoridades britânicas estão fazendo ''tudo que está a seu alcance'' para erradicar o foco de febre aftosa do sul da Inglaterra. Segundo ele, os especialistas estão trabalhando ''noite e dia'' para descobrir a origem da doença.
O presidente da União Nacional dos Fazendeiros da Inglaterra e País de Gales, Peter Kendall, disse estar ''satisfeito com a ação rápida (do governo)''. Para ele, será fundamental que o governo agora descubra a causa da contaminação e até que ponto houve expansão.

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