O governo britânico anunciou ontem o sacrifício ‘‘maciço’’ de seu gado frente ao avanço da febre aftosa, considerada oficialmente a partir de agora como ‘‘uma epidemia de grande amplitude’’. Os animais aparentemente sãos que vivem a menos de 3 km de um foco infeccioso serão sistematicamente sacrificados em todo o país, segundo um perito do governo professor David King.
A decisão foi anunciada apenas duas horas depois da publicação de um informe que considera que a febre aftosa vai se transformar ‘‘numa enorme epidemia’’ na Grã-Bretanha, e o número de focos poderia chegar a 4.000 no mês de junho.
No momento, os focos descobertos (fazendas ou matadouros) são 480 em todo o país, desde o anúncio da primeira descoberta, no dia 19 de fevereiro passado.
Trata-se portanto de uma multiplicação por dez dos focos infecciosos. Um drama sanitário que supera de longe a apidemia de 1967/1968, com 2.300 granjas contaminadas.
Londres também não descarta recorrer, pelo menos de forma parcial, da vacinação para ‘‘ganhar tempo’’. ‘‘A vacinação poderia ser um meio de ganhar tempo para que alguns animais sejam neutralizados enquanto que outros sejam abatidos’’, explicou o ministro da Agricultura, Nick Brown, durante a coletiva à imprensa. A doença continuará se estendendo até pelo menos o mês de maio, e não será erradicada antes de agosto, segundo as previsões oficiais.
O sacrifício dos animais num raio de 3 km ao redor de um foco estava previsto até agora em duas regiões: Cumbria (noroeste da Inglaterra) e Dumfries e Galloway (Escócia), recordou King.
Alguns fazendeiros reiteraram para os meios de comunicação que lutarão com todas contra o sacrifício de animais sadios. Até agora, a Grã-Bretanha já sacrificou 435.491 animais. Os peritos recomendam ‘‘medidas ainda mais drásticas’’ que as feitas até agora para que a doença não atinja toda a Grã-Bretanha. Em 1997, o país contava com rebanho de 11,6 milhões de bovinos e 42,5 milhões de ovinos.
Uma perspectiva que representaria sem dúvida um desastre para a maioria dos pecuaristas britânicos, e que impediria exportações que no ano passado foram avaliadas em 400 milhões de libras (US$ 575 milhões).
A propagação do vírus, que também afeta fortemente a indústria turística, poderia situar o crescimento britânico este ano a 2%, em comparação com os 2,3% previstos pelo governo, segundo um estudo do Centro de Pesquisas para a Economia e os Negócios.
O governo inglês gastou 108 milhões de libras para compensar os criadores de gado pelos animais sacrificados e espera receber mais 150 milhões de libras da União Européia. O primeiro ministro Tony Blair assegurou ontem, na Suíça, que ‘‘nossa prioridade é dominar a epidemia e depois ajudar na reconstrução dos setores de produção de gado e turísticos, muito prejudicados com o surto da doença.

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