Reino Unido anuncia abate maciço
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de março de 2001
France Presse De Londres 
O governo britânico anunciou ontem o sacrifício maciço de seu gado frente ao avanço da febre aftosa, considerada oficialmente a partir de agora como uma epidemia de grande amplitude. Os animais aparentemente sãos que vivem a menos de 3 km de um foco infeccioso serão sistematicamente sacrificados em todo o país, segundo um perito do governo professor David King.
A decisão foi anunciada apenas duas horas depois da publicação de um informe que considera que a febre aftosa vai se transformar numa enorme epidemia na Grã-Bretanha, e o número de focos poderia chegar a 4.000 no mês de junho.
No momento, os focos descobertos (fazendas ou matadouros) são 480 em todo o país, desde o anúncio da primeira descoberta, no dia 19 de fevereiro passado.
Trata-se portanto de uma multiplicação por dez dos focos infecciosos. Um drama sanitário que supera de longe a apidemia de 1967/1968, com 2.300 granjas contaminadas.
Londres também não descarta recorrer, pelo menos de forma parcial, da vacinação para ganhar tempo. A vacinação poderia ser um meio de ganhar tempo para que alguns animais sejam neutralizados enquanto que outros sejam abatidos, explicou o ministro da Agricultura, Nick Brown, durante a coletiva à imprensa. A doença continuará se estendendo até pelo menos o mês de maio, e não será erradicada antes de agosto, segundo as previsões oficiais.
O sacrifício dos animais num raio de 3 km ao redor de um foco estava previsto até agora em duas regiões: Cumbria (noroeste da Inglaterra) e Dumfries e Galloway (Escócia), recordou King.
Alguns fazendeiros reiteraram para os meios de comunicação que lutarão com todas contra o sacrifício de animais sadios. Até agora, a Grã-Bretanha já sacrificou 435.491 animais. Os peritos recomendam medidas ainda mais drásticas que as feitas até agora para que a doença não atinja toda a Grã-Bretanha. Em 1997, o país contava com rebanho de 11,6 milhões de bovinos e 42,5 milhões de ovinos.
Uma perspectiva que representaria sem dúvida um desastre para a maioria dos pecuaristas britânicos, e que impediria exportações que no ano passado foram avaliadas em 400 milhões de libras (US$ 575 milhões).
A propagação do vírus, que também afeta fortemente a indústria turística, poderia situar o crescimento britânico este ano a 2%, em comparação com os 2,3% previstos pelo governo, segundo um estudo do Centro de Pesquisas para a Economia e os Negócios.
O governo inglês gastou 108 milhões de libras para compensar os criadores de gado pelos animais sacrificados e espera receber mais 150 milhões de libras da União Européia. O primeiro ministro Tony Blair assegurou ontem, na Suíça, que nossa prioridade é dominar a epidemia e depois ajudar na reconstrução dos setores de produção de gado e turísticos, muito prejudicados com o surto da doença.


