O ex-ministro da Previdência, Reinhold Stephanes, aceitou ontem o convite do governador Jaime Lerner para assumir a presidência do Banestado. A resposta foi dada em uma reunião entre os dois na sede do governo na Copel (Chapéu Pensador), o que levará Lerner a anunciar hoje a nova diretoria do banco. Eles estiveram reunidos durante duas horas para tratar do assunto e, no final da tarde, o vice-presidente do Banestado, Aldo Almeida, - que havia sido anunciado pelo governo para ocupar a presidência - foi chamado ao Palácio para que Lerner comunicasse a ele a decisão.
Mesmo após o ‘‘sim’’ de Stephanes, ainda permanecia um movimento de alguns políticos que tentaram fazer o governador recuar e indicar o presidente da Fiep, José Carlos Gomes Carvalho. O presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL), era um dos articuladores, que apostava numa mudança de última hora. Ele iniciou seu dia defendendo Carvalho. ‘‘O Carvalhinho é a solução. O ex-ministro é um bom nome para a administração propriamente dita, mas data venia, não para um banco’’.
No final da tarde, Khury havia mudado o discurso e declarou: ‘‘Se o Carvalho recusar o convite, a tendência é que seja mesmo o Stephanes’’. A posição assumida pelo deputado era semelhante à postura do secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, que articulou a indicação de Carvalho.
A resposta que Khury esperava chegou no final da tarde. O presidente da Fiep declarou que não aceitaria em hipótese alguma a presidência do Banestado. ‘‘Eu tenho uma série de compromissos assumidos e funções que não poderia abandonar. Não tenho medo de desafio, mas neste momento não poderia assumir’’.
A indicação da presidência do Banestado foi feita com base na ‘‘intuição’’ do governador, afirmou um secretário de Estado, que preferiu manter o nome em sigilo. ‘‘Quando o Lerner se tranca no Chapéu Pensador, sem nenhum assessor por perto, é porque a coisa vai ser como ele quer’’, disse o secretário.
A reunião de Lerner e Stephanes durou duas horas e foi a portas fechadas. Por volta das 16 horas, o governador deixou a sala e foi para o Palácio Iguaçu. Em seguida, Stephanes saiu. Antes e durante a reunião, o ex-ministro fez uma série de ligações para sua assessoria, em Brasília, para obter informações do Sistema Financeiro. Ele tentou também conseguir detalhes da situação financeira do Banestado, mas o secretário Gionédis determinou que o presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, não prestasse os esclarecimentos.
Lerner chamou para si a responsabilidade de articular a presidência do Banestado, após a pressão política sofrida nos últimos três dias. O governador e o secretário da Fazenda acabaram protagonizando uma queda de braço em torno da indicação da presidência do Banestado. Enquanto Lerner defendia o ex-ministro, Gionédis tentava emplacar o Carvalho. No meio do impasse estava Aldo Almeida, que já se considerava presidente. ‘‘Lerner é quem definirá esta situação’’, afirmou após a reunião.
A estratégia de Gionédis era conseguir afastar a influência de Stephanes num setor considerado estratégico dentro do governo. Com Stephanes no banco, o secretário da Fazenda e também presidente do Conselho de Administração do Banestado teria de dividir espaço e poder.
Lerner preferia Stephanes por considerar que ele tem um trânsito melhor em Brasília. No início da semana, Lerner entendeu que deveria fazer valer a sua vontade e fez o convite ao ex-ministro, que estava em Los Angeles (EUA). Stephanes desembarcou ontem no final da manhã, no aeroporto Afonso Pena. Após o almoço, foi se encontrar com Lerner.

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