Reifor nega demissões e busca saída para a crise
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terça-feira, 09 de março de 1999
Cláudia Lopes 
O investimento pesado de grandes grupos estrangeiros no Brasil nos últimos anos e a recente desvalorização cambial interferiram nos negócios da Acumuladores Reifor, uma das indústrias mais antigas de Londrina. A dívida da empresa junto a bancos e de tributos federais é de cerca de R$ 5 milhões, segundo o superintendente, Antônio Carlos Viana, que foi contratado há 1,8 ano para ajudar na reestruturação da Reifor.
Ele desmentiu boatos que vêm se alastrando em Londrina sobre a possibilidade de demissões e até de decretação de falência da empresa. Apesar da situação ruim, estamos trabalhando para sair desta crise, admitiu. Não vamos quebrar e nem demitir ninguém, garantiu Viana, que considera a saúde financeira da empresa como regular.
Segundo esclareceu, a maior parte da dívida é junto a bancos e já foi repactuada. Viana revelou que o pagamento de alguns fornecedores também está atrasado. Mas ninguém deixou de nos vender matéria-prima por causa disso. O superintendente admitiu que, neste ano, a indústria chegou a negociar o pagamento de energia elétrica com a Copel. A energia é uma das principais matérias-primas na produção da bateria.
Viana explicou que, com a desvalorização do câmbio, os bancos deixaram de descontar duplicatas. O desconto era uma operação habitual na Reifor, afirmou. O aumento do dólar também teve impacto no fluxo de caixa da empresa já que uma das matérias-primas, o separador de polietileno, é importado da Inglaterra e subiu 30%.
Fundada há 46 anos, a Reifor tem atualmente 350 funcionários. Embora a empresa esteja atravessando uma crise, a perspectiva futura é boa e passa por uma parceria com o grupo português Autosil Steco, para a produção de baterias automotivas, de energia solar e de telecomunicações.
O grupo já mantém uma parceria tecnológica com a Reifor há cerca de quatro anos, e que deu sustentação para que a empresa londrinense produzisse baterias dentro das exigências da Renault. Embora tenhamos sido auditados pela montadora, até agora não obtivemos nenhuma resposta, reclamou Viana.
Através da associação internacional, a Reifor quer conseguir máquinas de última geração, centrando esforços na produção de baterias leves, para veículos pequenos. Em contrapartida, ofereceremos nossa rede de distribuidores para a Autosil, contou Viana. Atualmente, a empresa tem 70 distribuidores em 24 estados brasileiros, além de atuar em todos os países do Mercosul.
A Reifor é uma das cinco maiores do setor no Brasil, detendo 9% do mercado de reposição. Com a Autosil, devemos entrar também no mercado de montadoras, disse o superintendente. O caminho de todas as empresas nacionais do setor é se associar a grupos estrangeiros. Tecnologicamente, estamos muito atrasados em relação a automação do Primeiro Mundo. Para modernizar seu parque industrial, a Reifor teria que desembolsar hoje R$ 4 milhões, segundo Viana.
Mas a indústria tem conseguido otimizar seus custos, investindo na qualificação profissional e conscientização dos funcionários para aumentar a produtividade na fábrica. Tínhamos uma perda na produção de 7%. Hoje, é de 2%, calculou Viana. Também conseguimos reduzir os custos de energia elétrica em 25%, investindo num equipamento mais eficiente.


