Regressividade castiga quem tem renda menor
O presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), João Olenike, explica que a elevada carga dos impostos sobre consumo, movimentações financeiras e contribuições leva à regressividade do sistema tributário. Isso significa que uma pessoa que ganha até dois salários mínimos tem peso de taxas indiretas equivalente a 26% da renda líquida, enquanto para quem recebe mais de 30 salários o percentual é de 7%, segundo estudo do coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE), Paulo Rabello de Castro.
A solução seria transferir a arrecadação feita sobre o consumo para impostos sobre renda e propriedade, o que Castro vê como o terceiro passo em uma reforma tributária para que o processo possa ser agilizado. "É ai que morreram muitas das propostas anteriores", conta. Olenike ainda alerta que é preciso cobrar o tributo sobre o lucro, e não sobre a receita, como é feito hoje. "O governo quer arrecadar antes da pessoa receber o salário, de saber qual é o faturamento. Deveria esperar a empresa crescer para depois pegar a sua parte", diz.
Olenike também critica as desonerações feitas nos últimos tempos, ao chamá-las de jogo de cena. "O governo não ataca de frente os problemas, mas de forma pontual. A desoneração da cesta básica só foi feita para diminuir a inflação, e não porque é melhor para o povo." (F.G.)





