Os fornecedores de alimentos que entregam seus produtos na rede de supermercados Mercadorama também estão apavorados com as novas regras de negociação que estão sendo impostas pelo grupo portugues Sonae. Ontem eles estiveram reunidos na sede da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) solicitando apoio da entidade para uma solução para o problema que está afetando a todos. Estiveram presentes fornecedores e entidades que reúnem indústrias dos setores de café, açúcar, massas, arroz, trigo, bebidas, biscoitos.
Os fornecedores também se queixam de pressões, à exemplo do que ocorre com os produtores de hortigranjeiros. Segundo eles, o grupo Sonae está cobrando taxas que antes inexistiam nas negociações com as redes antigas. As taxas variam de setor para setor, mas eles apontaram a cobrança de taxas relativas à ‘‘ aniversário de rede’’, onde os preços dos produtos têm que ser reduzidos para atrair os consumidores e rappel (taxa de investimentos da rede) como as mais preocupantes. O presidente da Ceasa, José Lupion Neto, insistiu que as regras do jogo estão sendo impostas ‘‘de forma brutal’’.
Para o presidente da Fiep, José Carlos Gomes Carvalho, essa situação reflete a nova realidade da economia. Segundo ele, o grupo Sonae está agindo como toda multinacional e a Fiep não vai entrar nos detalhes das operações mercantis entre fornecedores e supermercados. Ele sugeriu aos fornecedores que se organizem e formem uma associação para fortalecer as negociações entre as partes.
Gomes Carvalho disse que vem alertando os empresários para essa nova ordem econômica há cinco anos e os setores industriais não lhe davam atenção, porque ainda não tinham passado por situação crítica. ‘‘Agora chegou a vez das indústrias de alimentos e eles terão que ser mais eficientes e reduzir margens de lucro, se quiserem continuar como fornecedores das grandes redes de supermercados’’, disparou.

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