As regras de biossegurança no Brasil estão entre as mais rigorosas do mundo. Enquanto na Espanha, por exemplo, a distância mínima obrigatória entre um cultivo transgênico e uma lavoura convencional de milho é de 20 metros, no Brasil, é de 400.
Segundo a engenheira agrônoma Luciana Di Ciero, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), que fez um parecer sobre um milho transgênico, a distância de 20 metros já asseguraria contaminação menor de 0,2%, quando o máximo aceitável, na Espanha como no Brasil, é de 0,9%.
Os ambientalistas afirmam que uma contaminação teria efeitos irreversíveis. Os cientistas discordam. Luiz Antonio Barreto de Castro, do Ministério da Ciência e Tecnologia, cita vários episódios em que variedades de plantas foram eliminadas de todo o País, por causa de pragas, e substituídas por outras: a ferrugem do café, a tristeza dos citros e, agora, a vassoura de bruxa do cacau.
Na história da agricultura, houve inúmeros cruzamentos. ''Não é possível raciocinar que, se o pólen sai de uma planta e vai para outra, o mundo vai-se acabar'', diz Barreto.
''Não somos contra o transgênico em si, mas contra a sua liberação indiscriminada, sem o devido estudo de impacto ambiental'', diz Gabriela Vuolo, coordenadora de campanhas de engenharia genética do Greenpeace, um dos protagonistas da Campanha Nacional por um Brasil Livre de Transgênicos.
Nem mesmo o argumento de que as plantas transgênicas exigem menos agrotóxicos sensibiliza os ambientalistas. ''Temos evidências contrárias'', diz Gabriela, apontando para o aumento da aplicação de agrotóxicos, conforme se vai desenvolvendo resistência, com o passar do tempo.
Os benefícios apontados para os pequenos produtores, com o desenvolvimento, pela Embrapa, de feijão, tomate, mandioca, mamão e batata transgênicas, assim como a soja cultivada nas propriedades familiares do Rio Grande do Sul, também não convencem o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Magda Zanoni, professora licenciada da Universidade de Paris 7 e pesquisadora do ministério, considera as práticas da agroecologia, como a associação de cultivos, mais desejáveis.
''As sementes transgênicas agravam a dependência ao pacote tecnológico'', diz ela. ''Quem compra a semente transgênica, compra obrigatoriamente o glifosato. Produz-se uma dupla dependência do agricultor, traduzida pelo pagamento de royalties.'' (AE)

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