A liberação do registro do glifosato roundup ready, da Monsanto, pode não ser definitiva no Paraná. A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) registrou o produto na semana passada, mas o processo estava parado no Instituto Ambiental do Paraná (IAP) há vários meses. O órgão ambiental só deu prosseguimento ao pedido por força de uma decisão judicial, em ação impetrada pela Monsanto, que determinava o seu encaminhamento. A Seab liberou o produto, mas com restrições.
O defensivo não pode ser usado contra quatro alvos: brachiaria brizantha, euphorbia heterophylla, raphanus rafanistrum e galinsoga parviflora. Segundo Adriano Riesemberg, chefe da Divisão de Fiscalização de Insumos e Serviços Agrícolas (Defis) da Seab, foi feita esta restrição porque a Monsanto não apresentou testes de eficácia agronômica contra as plantas. Apenas o glifosato da Monsanto obteve registro estadual para uso em lavouras transgênicas. Para conseguir cadastro é necessário aprovação de três secretarias estaduais: Saúde, Meio Ambiente e Agricultura.
Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Monsanto informa que o glifosato já tem registro nacional e cadastro em diversos Estados produtores de soja, com exceção do Paraná. Sobre a restrição temporária de uso em algumas plantas daninhas, a multinacional já teria apresentado estudos que comprovam a eficácia do produto e que estes dados já estariam sob análise da Seab.
A ação da Monsanto, no entanto, não vai extinguir um outro processo, movido pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), que pede a liberação do glifosato RR no Estado. Segundo o assessor da presidência da entidade Carlos Augusto Albuquerque, a ação está em fase de recurso no Superior Tribunal de Justiça. ''A Faep quer assegurar o uso do produto no Estado'', afirma.
Para o vice-presidente do Sindicato Rural de Londrina, Mylton Casaroli Júnior, a liberação do registro do produto dará mais tranquilidade aos produtores rurais que cultivam transgênicos. ''Agora não teremos mais surpresas no final da safra. Os sojicultores terão certeza de que poderão fazer o manejo correto a custo mais baixo'', comenta. (F.M.)

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