A Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGCE) decide em junho se estende o racionamento de eletricidade para todo o País, com base em estudo técnico que o Operador Nacional do Sistema (ONS) vai concluir no próximo dia 31. O trabalho vai identificar se será possível incluir as regiões Norte e Sul para garantir o aumento da transferência de energia para o Sudeste e o Nordeste. A decisão poderá ser precipitada pela situação crítica dos reservatórios das usinas hidrelétricas da bacia do rio São Francisco.
‘‘Caso perdure a situação mais crítica do Nordeste, vamos verificar se o Sul e o próprio Sudeste têm condições de transferir energia adicional, desde que seja mantido o princípio da equidade’’, declarou ontem o presidente do ONS, Mário Santos. ‘‘Vamos estudar até que ponto o Sul e o Norte devem sofrer ou não o racionamento’’, concluiu.
As condições do Nordeste são as que menos permitem à câmara afastar a possibilidade de apagões generalizados. Ontem, a CGCE criou mais uma comissão para tratar dessa hipótese, que poderá ser adotada no início do segundo semestre se as medidas de redução do consumo e as chuvas previstas não provocarem os resultados esperados.
Na semana passada, a câmara já havia formado um grupo, sob a coordenação do general Alberto Cardoso, para estudar como ficarão os serviços essenciais se o corte generalizado for determinado. ‘‘Os efeitos do apagão são muito fortes. Temos de evitá-lo’’, afirmou Santos. ‘‘Mas temos também de manter essa hipótese no nosso arsenal.’’
Em princípio, a câmara não pretende autorizar o apagão somente no Nordeste por uma questão de equidade. Ou seja, o governo não poderia determinar um sacrifício maior para uma região quando houvesse outras alternativas. A opção com a qual o ONS trabalha é a possibilidade de abastecimento do Nordeste com a eletricidade proveniente de outras regiões. Por conta disso, o Norte e o Sul podem se ver obrigados a aderir ao esforço de redução de consumo. O limite dessa estratégia está na capacidade das linhas de transmissão já existentes.
Conforme os dados do ONS, o nível dos reservatórios das usinas instaladas na bacia do rio São Francisco, no Nordeste, chegaram a 28,5%. Está, portanto, abaixo da margem de segurança, que é de 31%.
Além disso, o nível de afluência, que mede a quantidade de águas que alimentam a bacia hidrográficas, alcança apenas 41% na região. Para o período maio a novembro, o porcentual ideal seria de 73%.
Segundo Santos, o ONS já autorizou a transmissão de fluxo máximo de energia do Norte para o Nordeste, de cerca de 1.100 Megawatts (Mw), em média. O operador poderá até mesmo determinar a transferência de eletricidade do Sudeste – que vem sendo alimentado pela energia proveniente do Sul – para aquela região.
Essa alternativa será possível se for preservada, no próximo mês, a tendência de melhoria na situação do Sudeste e do Centro-Oeste. Os dados do ONS mostram que, no Sudeste, o nível de afluência alcança 71% – apenas quatro pontos porcentuais abaixo daquela considerada ideal para o período de maio a novembro. Segundo Santos, a redução da demanda por eletricidade já verificada em maio, de cerca de 10%, garante que o nível dos reservatórios da região poderá alcançar a margem de segurança.

mockup