Curitiba Pelo menos dois pólos concentradores de indústrias no Estado, de confecções para bebês, em Terra Roxa (132 km a oeste de Cascavel), e de Cal e Calcário, na Região Metropolitana Norte de Curitiba, já estão sentindo as vantagens de ter se tornado um Arranjo Produtivo Local (APL).
Em Terra Roxa, as cerca de 25 empresas de confecções para bebês de até um ano de idade estão priorizando recursos para realizar cursos de profissionalização da mão-de-obra local. ''A mão-de-obra do município sempre foi agrícola e, com a modernização na agricultura, houve muito desemprego. Mas para mudar essa cultura, é preciso treinar o pessoal da região com cursos na área de confecção'', avalia Eugenio Rossato, coordenador do APL Terra Roxa.
Iniciada oficialmente em outubro do ano passado, o APL Terra Roxa é responsável, atualmente, por 2,5 mil empregos formais, o equivalente a 20% da mão-de-obra ativa do município. O APL Terra Roxa se destaca, também, pela grande quantidade de pequenas empresas. A maior delas é a Paraíso Bordados, de propriedade de Rossato, com 15 anos de existência e cerca de 350 funcionários. A maioria, no entanto, tem entre dez a 30 empregados.
''Todo mundo trabalhava muito escondido, era um trabalho artesanal. Ninguém tinha condições de fazer os cursos fora. Foi preciso unir as forças para trazer os cursos para a cidade'', conta Rossato, ressaltando que já há uma agenda de novos cursos para 2006.
O APL de Cal e Calcário de Curitiba e Região Metropolitana, por sua vez, aguarda para outubro a chegada de R$ 500 mil obtidos junto ao Ministério das Minas e Energia. Os recursos a fundo perdido serão usados para cinco projetos que o setor encaminhou ao ministério, nas áreas de meio ambiente, treinamento, vendas, desenvolvimento de novas tecnologias e pesquisas de novas fontes de energia.
''Quando formamos o arranjo, nossa preocupação inicial era alocar recursos para esses projetos. Hoje sabemos que um APL tem outras vantagens, como propor políticas públicas setoriais'', diz o presidente da governança do APL, Alzemir Gulin. As empresas da região, de acordo com ele, estão discutindo suas necessidades e esperam marcar para outubro uma audiência com o governador Roberto Requião (PMDB), na qual apresentarão as reivindicações do setor. Entre elas, eles pedem uma solução para o problema da fonte de enegia.
O problema, segundo Gulin, é que as formas antigas de energia se extinguiram, por isso o setor pede a instalação de um ramal de gás natural para a região, a implantação de uma política de manejo da bracatinga (madeira usada antigamente como fonte de energia), além de novas alternativas de geração de energia. O APL reúne 90 empresas de sete muncípios: Ponta Grossa, Castro, Campo Largo, Almirante Tamandaré, Rio Branco do Sul, Itaperussu e Colombo e é responsável por 2,5 mil empregos diretos.(M.G.)

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