Regime flutuante foi ponto alto da política cambial
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segunda-feira, 01 de julho de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Após várias tentativas na administração da política cambial durante os oito anos do Plano Real, o Banco Central (BC) finalmente encontrou a melhor fórmula de lidar com a volatilidade da moeda em relação ao dólar. A avaliação é do ex-diretor da área de câmbio do Banco Central, Emílio Garófalo Filho.
Para ele, um dos pontos altos dentro deste mercado foi quando Armínio Fraga assumiu a presidência do BC, no início de 1999, falando em regime flutuante e estabilizando o dólar em R$ 1,65 depois de ter atingido uma taxa acima de R$ 2,20, como fruto da maior maxidesvalorização da história brasileira em consequência da adoção do regime de bandas flexíveis por seu antecessor no BC, Francisco Lopes.
''Naquela época, o mercado estava ainda muito volátil por conta de tudo que havia acontecido com o câmbio no começo do segundo mandato do Governo Fernando Henrique Cardoso e o Fraga assumiu adotando a 'política de administração de volatilidade', com intervenções no câmbio sempre que o dólar apresentava altas ou quedas muito grandes'', lembra Garófalo.
Pela não repetição da política de administração de volatilidade adotada por Fraga em 1999 neste momento em que os mercados se encontram altamente voláteis, Garófalo atribui ao Banco Central, de 0 a 10, nota 6.
A adoção deste tipo de intervenção do BC se faz necessário, principalmente porque as crises no Brasil são constantes e de origens diferentes. ''No ano passado tivemos crise por receio da contaminação da nossa economia pela economia argentina, apagão e ataque terrorista aos Estados Unidos. Este ano a crise vem das incertezas com relação ao quadro político e de problemas com a administração da política monetária, que colocou o BC em conflito com o mercado e culminando com a exigência da marcação a mercado dos títulos públicos'', diz Garófalo. Mas regime flutuante que vem tendo êxito sob o comando da equipe liderada por Armínio Fraga já foi introduzido no decorrer dos oito anos de Plano Real por três vezes, afirma Garófalo.


