Regime de metas de inflação só começa depois de junho
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse que o regime de metas inflacionárias, anunciado como a nova âncora do Plano Real, só deve estrear depois de junho próximo. Segundo ele, até lá o governo procurará conter a alta dos preços usando a atual política monetária, que impõe limites para o volume de dinheiro que circula na economia.
Fraga afirmou também que a partir do segundo semestre o pior da crise terá passado e a presença do BC no câmbio será bastante rara. Segundo ele, hoje o BC vende moeda principalmente nos dias em que há maiores vencimentos da dívida. Até a desvalorização da moeda, em janeiro, a taxa de câmbio era a âncora do Real. Ou seja, a inflação não subia porque os preços estavam ancorados por importações baratas, favorecidas por uma cotação baixa do dólar.
Fraga disse em depoimento no Senado que a implantação do sistema de metas inflacionárias, a nova âncora, depende de estudos que o BC ainda está realizando.
Neles, o BC vai estabelecer um percentual máximo de inflação que deverá ser perseguido basicamente por meio de taxas de juros, que seriam fixadas a partir desse alvo - ficando em segundo plano outros fatores que influenciam os juros, como a atividade econômica e o déficit público.
Segundo Fraga, enquanto o modelo não fica pronto, o BC procurará manter o volume de dinheiro em circulação compatível com uma inflação mensal de 0,6% ao mês no final do ano.
O acordo com o FMI estabelece indiretamente metas para o volume de dinheiro, tecnicamente chamadas de ativos domésticos líquidos do BC. As metas impõem um teto para o volume de dinheiro e, assim, procuram conter a inflação.





