As negociações para criar um regime automotivo comum para os países do Mercosul estão praticamente paralisadas. O regime comum, cujas bases chegaram a ser acertadas em dezembro do ano passado, deveria entrar em vigor em janeiro do próximo ano. Mas a desvalorização do real colocou um entrave no acordo e os argentinos não devem mais assiná-lo em função da perda de competitividade.
Diante dessa situação, a Associação de Fabricantes de Automotores (Adefa) e os governadores das Províncias (Estados) onde se encontram instaladas a maioria das montadoras argentinas começaram a pressionar o governo Menem para prorrogar o atual regime argentino até o ano 2003.
Já o regime brasileiro, que prevê incentivos fiscais e subsídios para a indústria automobilística e é quase uma cópia fiel ao argentino, terminará mesmo em dezembro deste ano e não há nenhuma chance de ser prorrogado.
‘‘Qualquer regime especial, como o do setor automobilístico, tem de terminar em dezembro, cumprindo o que foi acertado nos acordos assinados no âmbito da Organização Mundial do Comércio’’, disse à Agência Estado o embaixador José Alfredo Graça Lima, subsecretário geral de Assuntos de Integração Econômica e de Comércio Exterior do Itamaraty.
De acordo com ele, o Brasil se encontra ‘‘perfeitamente’’ preparado para adotar uma política sem incentivos fiscais. Ele acredita ainda que dificilmente a Argentina conseguirá prorrogar seu atual regime automotivo sem ferir as regras da OMC. Graça Lima não explicou, entretanto, que o Brasil acabou ficando beneficiado com a desvalorização do real, razão pela qual as montadoras argentinas deverão exigir compensações para, eventualmente, assinar um regime comum automotivo para o Mercosul.
Se não houver um acordo, a ausência de um regime comum para Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai deve criar problemas no comércio entre os quatro países membros do bloco (intrazona). ‘‘A expectativa é que, em algum momento, antes do final do ano, deva haver uma definição clara sobre isso’’, disse o embaixador Graça Lima.
Esta semana, governadores de três Províncias argentinas decidiram pedir ao governo Menem para prorrogar o atual regime do país até o ano 2003, a aplicação de um sistema de leasing para comprar veículos e a criação de um projeto de fabricação de veículos populares. Os argentinos argumentam ainda que a crise brasileira acelerou o processo recessivo na Argentina, provocando também a demissão de quase 22 mil trabalhadores do setor.

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