Região Sul tem maior parcela de endividados
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quarta-feira, 05 de fevereiro de 2014
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A maior incidência de famílias endividadas do Brasil está na região Sul, com 76%, assim como a maior quantidade de pessoas que disseram não ter condições de pagar as contas em atraso, com 8,8%. Apesar do resultado, a região foi a única do País a registrar redução na parcela de pessoas com parcelamentos no ano, já que o índice foi de 78,6% em 2012, segundo o estudo Perfil Regional de Endividamento e Inadimplência em 2013, divulgado ontem pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Parte da explicação se deve à maior formalidade no mercado de trabalho regional, o que diminui o peso da desaceleração da oferta de crédito.
Também houve quedas sucessivas no percentual de pessoas com dívidas em atraso, que foi de 31,4% de 2010, passando por 25,8% em 2012 e fechando em 21,9% no ano passado. Outro índice positivo foi que o Sul apresentou a menor taxa de calotes até outubro, com 3,2%, segundo dados de operação de crédito do Banco Central.
A economista Marianne Hanson, da CNC, afirma que a tomada de crédito por parte do consumidor, que leva às dívidas, não é necessariamente ruim. "Apesar do endividamento ter aumentado em quase todas as regiões, não é algo que preocupa porque houve queda ou estabilidade na inadimplência" diz, ao comparar 2012 e 2013.
Ela lembra ainda que boa parte das dívidas no País tem perfil positivo, como as de financiamentos de bens duráveis, como carros e imóveis. "Também vemos que o comprometimento de renda está em um bom patamar e os prazos das dívidas estão maiores, o que diminui o valor das prestações", conta. No Sul, o tempo médio para que as dívidas sejam quitadas é de 7,2 meses, o segundo maior, atrás dos 7,7 meses do Centro-Oeste. A média nacional é de 6,6 meses.
O delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) em Londrina, Laércio Rodrigues de Oliveira, diz que parte do índice se deve ao dinamismo econômico e a um mercado de trabalho menos informal no Sul do que em outras regiões. "Os empregos formais fazem com que as pessoas acreditem mais que poderão pagar as dívidas e com que os bancos considerem que há menos riscos no tomador de empréstimos", afirma. Ele completa que no Nordeste, por exemplo, onde há incidência menor de carteiras assinadas, dar garantias em financiamentos é mais difícil.
Orientações
Oliveira sugere aos devedores que evitem as "dívidas ruins". "A boa é quando há aumento de patrimônio, como na compra de uma casa ou um carro, quando o custo fica abaixo dos 30% de renda e quando os juros são menores."
A economista da CNC acredita que a tendência em 2014 seja de cautela por parte do consumidor. "Temos um cenário menos favorável para o crédito, com juros mais altos, e as famílias devem ficar mais preocupadas."
No País
Na média do Brasil, o total de endividados foi de 62,5%. A taxa de pessoas com dívidas em atraso fechou o ano em 21,2% e as que disseram que não terão condições de pagá-las, 6,9%. Por região, o Sudeste teve a menor incidência de endividamento, com 56,3%, seguido pelo Nordeste, com 65,8%, Centro-Oeste, com 67,8% e Norte, com 68,2%.
Das pessoas com dívidas em atraso, o maior percentual está no Norte, com 25,9%. Na sequência aparecem Nordeste (23,4%), Sul (21,9%), Centro-Oeste (18,9%) e Sudeste (18,8%). No Norte, no entanto, está o menor risco de calote, com 3,4%. Centro-Oeste (5,5%), Sudeste (7,2%) e Nordeste (7,4%), além do Sul (8,8%), completam o ranking.

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