Região Sul responde por metade de safra recorde
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quinta-feira, 30 de agosto de 2001
Nilson Brandão Junior<BR>e Paulo Cabral 
A safra agrícola - que deverá aumentar 18,08% este ano e bater o recorde de 98 milhões de toneladas - cresce mais na Região Sul do que em qualquer outra do País. Conforme as estimativas divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (Ibge), a região deverá fechar o ano com produção de 49,34 milhões de toneladas, 37,88% acima de 2000. Pela primeira vez, a região terá mais da metade (50,2%) da safra nacional.
O avanço agrícola ajuda a explicar parte da expansão das exportações dos Estados sulistas, cujas vendas externas, em dólares, cresceram 18,6% nos sete primeiros meses do ano, o dobro da média nacional (8,8%).
A produção estimada da soja na Região Sul chega ao final do ano em 15,7 milhões de t (26,34% acima do ano passado) e a de milho de 1 safra em 19,3 milhões (47,22%). Já a produção de trigo deverá chegar a 3,26 milhões no Sul, totalizando 3,44 milhões de t no País (aumento de 107,4%). ''O produtor tem interesse em plantar mais soja porque o câmbio favorece. Ele já planta sabendo quem vai comprar'', diz Carlos Alberto Lauria, chefe do Departamento de Agropecuária do IBGE.
O empresário gaúcho do setor Jorge Rodriguez, da Agropecuária e Cabanha Rodriguez, confirma a tendência na produção de grãos. ''Houve efetivamente incremento da produção de soja e milho nesta safra''. Segundo ele, caso o preço do milho permaneça pouco atraente, os produtores poderão reduzir a área plantada do produto e ocupá-la com a soja, que projeta bons preços internacionais.
Embalados pela rentabilidade adicional da alta do câmbio e as condições climáticas mais favoráveis que no ano passado, a produção de soja e milho registrou a maior expansão na região dentre os cereais, leguminosas e oeloginosas, junto com o trigo, este basicamente voltado ao mercado interno.
As exportações de soja, farelo de soja e milho - com o reforço de produtos não agrícolas, como carne de frango, calçados, fumo e automóveis - levaram os estados do Sul a aumentar suas vendas externas de US$ 7,2 bilhões, no ano passado, para US$ 8,54 bilhões de janeiro a julho deste ano.
''O Brasil, que nunca foi um grande exportador de milho, está começando agora a vender quantidades significativas para mercados que recusam o milho transgênico (com alterações genéticas para aumentar a resistência e a produtividade) plantado nos principais países exportadores'', comentou Rubens Ricupero, secretário-geral da Conferênciadas Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), citando também que outras regiões tem avançado no cultivo e exportação da soja, além da Região Sul.
A previsão de julho do Ibge para a safra foi 0,33% superior do que de junho. Segundo o técnico do IBGE, não deverá haver, até o fim do ano, retrocesso na safra prevista.
''Com certeza vamos ter novamente a maior safra da história'', disse Lauria. Segundo o economista, a primeira safra de grãos, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, encontra-se praticamente definida. Permanecem no campo as culturas de inverno, como o trigo e o milho de segunda safra. Ao contrário do ano passado, quando a cultura do produto foi prejudicada por severas geadas no Paraná e no Rio Grande do Sul, o quadro geral este ano está mais favorável. Há geadas no Paraná, reconheceu Lauria, mas o plantio já está desenvolvido, o que reduz eventuais prejuízos.


