Tradicionalmente mais conservadoras do que no restante do país, as empresas do Sul este ano inverteram a ordem e estão puxando a demanda por crédito, segundo acompanhamento feito pela Serasa Experian. A média nacional de procura por crédito foi de 3,4% em julho ante junho (-3,1%), enquanto no Sul fechou em 4,4% contra -0,5%, respectivamente. No acumulado dos últimos 12 meses, os empresários sulistas ampliaram a tomada de crédito em 10% contra 6,6% do total do Brasil. A região também alcançou a dianteira nos primeiros sete meses deste ano: 3,9% contra 2,3% do restante do Brasil.
Conforme a Serasa/Experian, os preparativos do setor industrial para as vendas de final de ano impulsionaram a demanda por crédito neste início de segundo semestre. Por setores, serviços e a indústria são os destaques nacionais. A demanda por crédito no setor industrial cresceu 3,9% em julho, 9% nos últimos 12 meses e 2,4% desde o início do ano. Em serviços, a alta foi de 3,6%, 10,4% e 5%, respectivamente, enquanto no comércio os mesmos índices ficaram em 3,2%, 3,4% e 0,3%.
O economista da Federação da Indústria do Estado do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, acrescentou que o período entre julho até outubro é o de maior atividade industrial, sazonalmente, no Brasil. ''Tudo vinculado à esta atividade tem crescimento, inclusive a demanda por crédito'', destacou, comentando que os recursos devem ir mais para a compra de matéria-prima do que para a aquisição de máquinas e equipamentos, pois o ritmo de importação é menor do que o do mesmo período do ano passado.
Zurcher pontuou que, especialmente neste ano, esta alta sazonal está bastante forte. ''No Paraná, especificamente, está muito forte, por causa (dos segmentos) dos alimentos, produção de açúcar e álcool e de veículos'', elencou o analista da Fiep.
O economista apontou que os percentuais de tomada de crédito são mais significativos entre as pequenas e grandes empresas. Isso ocorre, segundo ele, porque as médias são as que mais sofrem com a valorização do real, pois disputam mercado tanto com concorrentes estrangeiros - beneficiados pela baixa cotação do dólar - como com nacionais. Portanto, se ressentem mais do cenário internacional adverso. ''Essas empresas não se sentem muito seguras com o futuro próximo'', complementou o economista.
Zurcher comentou ainda que o dado que chama a atenção é que as empresas do Sul sempre foram a que menos demandavam crédito no País. ''Tomara que não seja para pagar dívidas'', brincou Zurcher. (Com Agência Estado)

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