Rio de Janeiro – A desconcentração industrial do País nos últimos 15 anos provocou maior migração de empregos que da produção entre as regiões brasileiras. A busca por menores custos levou indústrias intensivas em mão-de-obra a deixar a região Sudeste, que perdeu 8,8 pontos porcentuais (caindo de 66% para 57,2%) de participação no número de ocupados entre 1985 e 2000. A queda foi bem superior à redução da fatia da região no valor total produzido no Brasil, de 71,2% para 66,1%, ou 5,1 porcentuais no período.
A principal região beneficiada com as perdas do Sudeste foi o Sul, que aumentou a participação no número de pessoas ocupadas de 19,6% (1985) para 24,5% (2000) e, na produção, de 14,8% para 18,3%. Os ganhos foram bem distribuídos entre o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, ambos com aumento nos porcentuais de participação na produção e no emprego. Os números foram revelados na Pesquisa Industrial Anual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referente a 2000, que confirmou o movimento de desconcentração regional das indústrias nos últimos anos, ainda que em ritmo menos intenso do que o apurado entre 1970 e 1985.
O movimento mais acentuado no mercado de trabalho ocorreu especialmente porque São Paulo, o principal Estado industrial, que ainda concentra 45,6% do valor produzido, perdeu empresas intensivas em mão-de-obra, em setores como têxtil, vestuário e calçados. A técnica do Departamento de Indústria do IBGE Mariana Rebouça, disse que essas indústrias buscaram locais com remuneração tradicionalmente menor dos trabalhadores. Além disso, houve também um ajuste nas empresas de maior valor agregado, que em muitos casos permaneceram no Sudeste e elevaram a produtividade, reduzindo a mão-de-obra.
A pesquisa revelou que a desconcentração foi além das macrorregiões e prosseguiu das grandes regiões metropolitanas para o interior dos Estados. Esse processo foi aprofundado no fim da década de 90. Em 1996, 45,6% do valor da produção industrial do País estava nas capitais e, em 2000, o porcentual caiu para 41,2%.
Nesse caso, também São Paulo aparece como exemplo. O Estado diminuiu a participação da capital (incluindo o Grande ABC) de 39,5% para 30,8% entre 1996 e 2000, com a fatia do interior crescendo, respectivamente, de 60,5% para 69,2% no período.

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