Caso não ocorra alterações no decreto-lei 6.514 do Ministério do Meio Ambiente muitas propriedades da Região Norte do Paraná terão dificuldades para adequações. Segundo o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Lopes Kireeff, a região tem apenas 4% de cobertura florestal. Além disso, haverá uma perda de 16% na produção regional de grãos. ''Pedimos um aprimoramento da lei. Acreditamos que tem que ser definido um zoneamento econômico-ecologócio'', afirma.
Ele cita estudos da Confederação Nacional da Agricultura que aponta uma produção agropecuária 15% menor a partir da vigência do decreto. Além disso, a pesquisa aponta que 80% dos parreirais destinados à produção vinícola do Rio Grande do Sul terão que ser erradicados porque estão em áreas de preservação ambiental, enquanto o mesmo deve ocorrer com grande parte dos cafezais cultivados em Minas Gerais e Espírito Santo. ''Queremos a manutenção das áreas consolidadas como produtores de alimentos'', salienta.
Segundo Kireeff os produtores já discutiram o assunto durante esta semana e no final do próximo mês está marcada palestra com o deputado federal Moacir Micheletto (PMDB) sobre as alterações necessárias na legislação ambiental. O entendimento da Rural é que a lei deve ser adequada conforme as necessidades de cada região e ressaltando a importância das regiões produtoras de alimentos. ''Enquanto 900 milhões de pessoas passam fome no mundo, segundo a FAO, não podemos abrir mão de terras em regiões que têm vocação absoluta para a produção de alimentos'', diz.
Em Maringá (Região Noroeste) também já foram organizadas reuniões para esclarecimentos dos produtores rurais. ''Esse decreto vai trazer prejuízos medonhos para os agricultores e, por isso, temos que propor ações para modificá-lo'', afirma José Antônio Borghi, presidente do Sindicato Rural de Maringá. Segundo ele, naquela região 99% das propriedades não estão devidamente adequadas para fazer a averbação da reserva legal. Por isso, já foi iniciado um trabalho de ''pressão política'' junto aos deputados federais e nos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente.
''A legislação vai provocar a queda da produção de alimentos e gerar custos para os produtores rurais. Não concordamos porque entendemos que mata não pode ocupar o lugar da produção de alimentos, que é primordial'', observa Borghi. (F.M.)

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