Região de Londrina
tem 101 mil sem
trabalho, diz estudo
Prévia de pesquisa da UEL aponta desemprego de até 15% na cidade
Cláudia Lopes
Josoé de CarvalhoUniversoBatista, da UEL: pesquisa considerou quem não tem carteira assinadaPrévia de uma pesquisa realizada pelo professor de sociologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), João Batista Filho, aponta 101 mil desempregados na microregião de Londrina. Somente no município, o professor calcula que, entre 10% a 15% da população, esteja desempregada atualmente.
‘‘O número considera, além dos trabalhadores parados, aqueles que sobrevivem de bicos e a mão-de-obra especializada que não arranja emprego em sua área, submetendo-se a trabalhar em qualquer função para não morrer de fome’’, diz Batista. ‘‘Levamos em conta quem não tem carteira assinada, instrumento que estabelece os direitos dos trabalhadores’’.
A pesquisa começou a ser desenvolvida em janeiro deste ano em conjunto com 12 sindicatos de trabalhadores da cidade. Alunos dos cursos de direito e sociologia saíram a campo, aplicando um questionário com cerca de 15 perguntas em vários bairros da periferia. ‘‘De janeiro a março, chegamos a 85 mil desempregados na microregião de Londrina, que engloba cerca de 47 municípios. O número foi baseado na pesquisa e em dados levantados nos sindicatos’’, conta o professor. ‘‘Nos últimos dois meses este número saltou para 101 mil desempregados. Mas, se conseguíssemos ampliar o estudo, certamente aumentaria ainda mais’’.
Desde o início deste mês, a Universidade Norte do Paraná (Unopar) também está participando do projeto, que atualmente está sendo feito nas zonas leste e oeste da cidade. ‘‘Nas 250 famílias que responderam o questionário na semana passada, descobrimos um total de 83% de desempregados’’, conta o professor. Cerca de 50 estudantes de direito aplicarão o questionário em mais 250 famílias, amanhã, no Jardim Olímpico. A pesquisa deve terminar em dezembro deste ano.
Para Batista, o mercado informal faz com que o trabalhador perca seus direitos de cidadão. ‘‘Os camelôs são segregados e vistos como invasores. Trabalhando até 16 horas por dia, eles gostariam de estar atuando em suas áreas. Um pai de família não pode viver de bico’’, diz. ‘‘Só que o resto da sociedade não os enxerga como desempregados’’.
‘‘De 45 famílias visitadas no final de semana passado no jardim União da Vitória, 42 têm em casa um membro que trabalha como vigia noturno cuidando de residências e sem carteira assinada’’, diz Batista. ‘‘Tem eletricista vendendo vassouras de porta em porta e mecânico limpando terrenos na Frente de Trabalho da prefeitura’’.
Segundo Batista, 96% da população carcerária estava desempregada antes de ir para a cadeia. ‘‘Sem emprego, o trabalhador recorre ao crime para poder alimentar sua família’’, alerta. ‘‘Atualmente, muitos seres humanos estão vivendo abaixo da linha da miséria no município’’.
O professor de sociologia reclama que o Plano de Desenvolvimento Industrial de Londrina (PDI) é desconhecido pela maioria da população, que ‘‘não está participando do processo de industrialização’’. ‘‘Ao invés de gastar dinheiro para tentar atrair três grandes indústrias, a prefeitura deveria ajudar a salvar as pequenas e médias empresas, que são responsáveis por 96% do Produto Interno Bruto do País’’, afirma. ‘‘Também é preciso investir em educação e capacitação da mão-de-obra’’.

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