Brasília - A dívida pública pode cair mais rápido e pesar menos sobre a economia se for possível avançar no processo de reformas econômicas. É o que mostra estudo divulgado ontem pela Secretaria do Tesouro Nacional. O documento sustenta que, com as reformas, haveria mais espaço para as taxas de juros diminuírem e o País crescer. Dessa forma, a dívida ficaria menos cara e cairia mais rápido.
Hoje, a dívida pública representa 51,7% do Produto Interno Bruto (PIB). O estudo do Tesouro mostra que, se o quadro econômico for mantido, em 2010 a taxa de juros real estará em 8% e a economia crescerá algo em torno de 3,5%. Nesse quadro, chamado de ''cenário básico'', a dívida pública será de 42,6% do PIB. Porém, se for possível avançar com reformas que reduzam o déficit da Previdência Social e que melhorem o ambiente de negócios no País, a taxa de juros real chegará em 2010 a 7,3% e o crescimento será um pouco maior: 4%. A dívida, então, cairia para 40% do PIB.
Nos dois cálculos, leva-se em conta que o governo não fará uma economia para pagar juros maior do que vem fazendo agora. Hoje, essa economia (o chamado superávit primário) é de 4,25% do PIB. As simulações pressupõem que esse nível será mantido ao longo dos próximos anos.
As simulações foram feitas a partir de cenários econômicos montados com base nas projeções que o próprio mercado financeiro faz e envia ao Banco Central, como parte da pesquisa Focus. Essa pesquisa é feita com mais de uma centena de instituições financeiras e serve para o governo medir a percepção dos agentes financeiros quanto ao comportamento futuro a respeito de inflação, juros, crescimento, balança comercial e outros indicadores.
O ''cenário básico'' representa uma média da opinião dos analistas de mercado, mas o estudo informa que há, entre eles, um grupo mais otimista. ''As expectativas consolidadas pela pesquisa Focus/Expectativas de Mercado indicam que uma parcela não desprezível de analistas considera como cenário mais provável uma trajetória em que a relação dívida/PIB estaria abaixo de 40% ainda em 2010'', diz o texto.

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