Washington, EUA - O Fundo Monetário Internacional (FMI) atribuiu ontem à ausência de reformas estruturais o fato de o Brasil ter a maior taxa real de juros do mundo. ''A política monetária não pode dar conta de tudo. As reformas estruturais devem ser feitas para reduzir as taxas de juro'', afirmou o economista-chefe do Fundo, Raghuram Rajan, durante entrevista em Washington (EUA). ''O motivo de o juro ser tão alto não é apenas o temor de inflação. Os fatores estruturais precisam ser atacados'', completou.
O Fundo cobrou prioridade para as reformas tributária e previdenciária como saída para acelerar o crescimento, conter a inflação e reduzir os juros. Além de prever crescimento abaixo da média mundial para o Brasil, o FMI projeta que o país terá, em 2005, a menor taxa de expansão entre os principais países da América Latina.
De um modo geral, Rajan afirmou que ''progressos tremendos'' têm sido obtidos na região. ''A perspectiva é muito boa se as reformas continuarem.'' A ressalva do Fundo é que a América Latina continua vulnerável e pode ser ''seriamente prejudicada'' por uma depreciação mais abrupta do dólar. O endividamento da região também permanece como ''fonte significativa de vulnerabilidade''.
Mesmo com um crescimento menor, o Brasil deverá ultrapassar o centro da meta de inflação de 5,1% perseguida em 2005 pelo Banco Central. Segundo a previsão do FMI, a inflação deve fechar o ano em 6,5%, acima da maioria dos países latino-americanos.
De acordo com o Fundo, o Brasil deve crescer 3,7% neste ano, contra os 4,3% da média mundial. Só o crescimento médio do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) ficará 0,7 ponto percentual acima do brasileiro.
Apesar da expectativa de inflação acima do centro da meta, Rajan afirmou que o país tem tomado ''os cuidados adequados'' para conter um potencial aumento dos preços.
Rajan considera que o país tenha atingido o ''equilíbrio em um ponto razoável'' entre o grau de aperto monetário (juros mais altos) e fiscal (nível do superávit primário) exigidos para segurar a aceleração da inflação.

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