Reforma tributária está limitada ao ICMS e ISS
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sexta-feira, 06 de abril de 2001
Agência EstadoDe Brasília 
A nova proposta de reforma tributária que o governo federal encaminha ao Congresso nas próximas semanas será restrita às mudanças no atual do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto sobre Serviços (ISS), arrecadados pelos Estados e municípios, respectivamente. A proposta de emenda constitucional (PEC) a oitava apresentada pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso não vai abranger alterações nas contribuições sociais, a principal reivindicação do empresariado.
O anúncio foi feito ontem pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, na reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), em Belém (PA). As modificações têm como principal objetivo combater a guerra fiscal e unificar as 27 legislações do ICMS, diferentes em cada Estado. O presidente do Confaz e secretário de Fazenda do Ceará, Edenilton Gomes de Soarez, disse que a nova proposta do governo federal para o ICMS tem como principal novidade a harmonização do tributo por meio de uma lei federal que retiraria dos Estados o poder de estabelecer alíquotas, conceder isenções e reduções.
Além disso, as novas regras somente poderiam ser modificadas posteriormente por iniciativa de um terço dos governadores ou igual número de senadores. A proposta desagradou aos secretários de Fazenda, que concordam em unificar as regras do ICMS, desde que permaneça com os governos estaduais a competência de modificar a legislação. Isso é o mesmo que tirar o ICMS do comando dos Estados, afirmou Soarez. O ICMS é o principal tributo sobre o consumo no País e maior fonte de receitas próprias de Estados e municípios.
Para a secretária de Fazenda do Pará, Teresa Cativo Rosa, o governo está atropelando o processo em construção há mais de dois anos e com envolvimento de todos os setores interessados. Ela se referia à discussão feita no âmbito da comissão tripartite (representantes da União, Estados, municípios e comissão especial de reforma tributária da Câmara). De acordo com a secretária, a nova PEC não será debatida com os governos estaduais antes de ser enviada ao Congresso, apesar do apelo feito ontem pelos secretários de Fazenda.
A nova PEC incorpora alguns pontos de consenso entre os Estados, como a manutenção dos incentivos fiscais concedidos pelos Estados na chamada guerra fiscal redução do ICMS para atrair indústrias até 31 de dezembro de 1999. Bier, no entanto, não detalhou como seria coberto o custo dos contratos já firmados pelos governos com empresas beneficiadas.
Foi mantido o prazo de transição de sete anos para implantação do princípio de destino no ICMS, pelo qual o produto da arrecadação pertencerá integralmente aos Estados consumidores e não mais aos Estados produtores, como ocorre hoje. As alíquotas do ICMS seriam agrupadas em cinco níveis menores para produtos essenciais e maiores para os supérfluos , mas passariam a ser iguais em todos os Estados.


