Curitiba - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou ontem, em Curitiba, que acredita na aprovação da Reforma Tributária na Câmara dos Deputados pelo menos até julho deste ano. Ele ainda disse que espera ter a reforma aprovada pelo Senado logo após as eleições municipais. ''Temos eleições de dois em dois anos. Se não votar um assunto como esse que todos acham que é fundametal e tem muito mais apoio do que restrições, então nós vamos fazer o que esse ano?'', questionou o ministro. O ministro esteve na cidade para participar de um ciclo de palestras na Associação Comercial do Paraná (ACP) sobre os pontos positivos e negativos da Reforma Tributária.
Bernardo também lembrou que a atual situação econômica do País é um fator favorável para a discussão e a aprovação da Reforma Tributária. ''Nós temos hoje um quadro diferente porque a receita dos estados, dos municípios e da União está crescendo porque a economia está crescendo. As empresas estão em um bom momento. O comércio está vendendo bem. A indústria está empregando, de maneira que todo mundo está ganhando. Então fica mais confiante, predisposto em discutir e aprovar'', explicou, lembrando que não acredita existir uma reforma ideal no País.
Contudo, o ministro explicou ainda que a proposta de Reforma Tributária do governo federal, para ele, favorece os mais pobres, contrariando sua própria afirmação de que o sistema tributário brasileiro é muito injusto com a população mais pobre.
''Os mais pobres e os menores de fato acabam recolhendo mais. Eu vi, por exemplo, na proposta do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), uma discussão sobre mais alícotas para o imposto de renda e isso significaria ser mais progressivo, cobrar mais forte de quem ganha mais. Isso é uma proposta que está em estudo no Ministério da Fazenda, mas para isso não precisa de Reforma Tributária. Pode fazer por lei. De qualquer maneira, nós prevemos que haverá uma resistência muito grande porque na hora do vamos ver, quem grita mesmo são os poderosos, os mais fortes. Esses conseguem ter mais vozes e resistir mais'', afirmou o ministro, reafirmando que acredita que a proposta do governo favorecerá os mais pobres.
O argumento do ministro é baseado na diminuição de impostos sobre a força de trabalho, a folha de salário, dos investimentos, e da cesta básica. ''Achamos que isso vai significar um crescimento maior da economia e vai significar muito mais emprego e que vai beneficiar as pessoas mais pobres'', ressaltou.
No campo político, o ministro lamentou a saída da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que ocorreu nesta semana. ''A Marina era uma pessoa muito importante não só para o governo, mas para toda luta ambientalista, mas vamos continuar tocando a política do governo'', concluiu o ministro.

mockup