REFORMA EDUCACIONAL - Avanço da educação precisa ser 50% maior para ampliar renda
O trabalhador brasileiro precisa passar dos atuais 7,9 anos em média na escola para 15 anos até 2030, caso o País queira entrar em processo de crescimento econômico sustentável e abandonar os "pibinhos". Depois de garantir amplo acesso da população à carteira assinada, a economia entrou em processo de estagnação porque a produtividade dos empregos criados, principalmente no comércio e em serviços, é menor do que na indústria, por exemplo. Para reverter o quadro, especialistas dizem que é preciso mais do que dobrar a média do avanço da escolaridade ao ano, o que somente ocorrerá com investimentos maciços na educação.
Na comparação entre 2003 e 2012, o número de anos na escola do brasileiro foi de 6,7 para 7,9, conforme o Ministério da Fazenda. A média anual de avanço foi de 2%, pouco para se aproximar em 2030 do nível de países como Finlândia, Suécia, Coreia do Sul e Japão. Por isso, o economista Luciano DAgostini, integrante do Grupo Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), sugere que ocorram investimentos no setor para elevar a quantidade de anos na escola do brasileiro em 4,5% ao ano. "Se continuar em 2%, vai dobrar a escolaridade apenas depois de 2050 anos", afirma.
No mesmo período, os recursos em educação passaram de 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional para 6,1%, informa a Fazenda. Apesar dos avanços, a classe empresarial passou a criticar a falta de mão de obra especializada e a indústria viveu momentos de queda na produtividade. O que mostra, para DAgostini, que a escolaridade e a qualificação ainda são baixas. "Para repetir o que fizeram Japão e Coreia, quando deram um salto econômico em período curto, tem de investir cerca de 10% do PIB em educação."
Segundo especialistas, quando a escolaridade é maior, a própria população gera novas tecnologias e empregos. A partir da educação, aumenta-se a qualidade, a concorrência e se geram mais inovações, tudo pelo capital humano
Não há risco de profissionais mais qualificados ficarem fora do mercado, porque a tendência é que apareçam mais empreendedores, com consequente criação de vagas de trabalho com valor agregado
O Programa Folha Cidadania é o desafio social da Folha de Londrina no combate ao analfabetismo funcional





