A considerar pela crise financeira internacional que afeta vários setores da produção, o que poderia se concluir é que os consumidores estão optando por reformar os pneus de seus veículos ao invés de comprar pneus novos. Mas na prática não é bem isto que acontece. As empresas que trabalham com recauchutagem e remodelagem de pneus de carros e caminhões informam que o movimento caiu cerca de 30% nos últimos meses.
Roberto Tavares, gerente de uma empresa especializada em reforma de pneus de caminhões, afirma que ''as transportadoras estão adiando as compras de pneus novos e, consequentemente, as reformas dos pneus usados com a alegação de que o volume de cargas caiu''.
Tavares explica que os pneus de caminhões são fabricados já com a previsão de uma ou duas recapagens. A durabilidade depende muito da circunstância em que o caminhão é utilizado, podendo variar entre 90 mil a 120 mil quilômetros no caso de pneus que percorrem longas distâncias em boas estradas. Já os pneus de caminhões que fazem serviços mais pesados ou circulam em rodovias sem asfalto duram bem menos.
Ele afirma também que o pneu reformado tem a mesma durabilidade de um pneu novo, porém, com uma diferença significativa no preço. ''Enquanto um pneu novo (de caminhão) custa entre R$ 1 mil e R$ 1,2 mil uma recapagem fica em torno de R$ 300 a R$ 400. Outra vantagem é que o pneu reformado é tão seguro quanto um pneu novo.''
Além da economia, Tavares destaca que a reforma de pneus contribui para a preservação do meio ambiente. ''A gente evita que o pneu morra antes da hora. Se todo pneu fosse descartado após o uso, haveria uma quantidade muito maior de pneus para ser destruída'', compara.
O gerente da empresa de recapagem acredita que a redução do movimento é temporária. Demostrando um certo otimismo em relação ao mercado, ele espera que tudo volte ao normal a partir deste mês, após a colheita da nova safra agrícola.
O empresário Anderson Fernandes confirma que houve uma redução em torno de 30% no setor de transporte de cargas. ''As exportações estão paradas. Há cerca de 90 dias que a gente não leva nada para o porto de Paranaguá.'' Ele espera que a situação melhore depois do Carnaval, mas não se mostra muito otimista. Além da redução nas exportações, Fernandes cita que a estiagem é uma nova ameaça para a economia regional.

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