Curitiba - A utilização de um processo chamado H-Bio, em três refinarias do Brasil, representará uma redução de 15% na importação de diesel. A estimativa é do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que participou ontem pela manhã, ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do lançamento oficial dos testes do novo combustível na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. O H-Bio é um processo de refino do petróleo que utiliza óleo vegetal como matéria-prima para obtenção do óleo diesel. O óleo vegetal será retirado, num primeiro momento, de grãos de mamona, girassol, soja, dendê e algodão.
A redução na importação do óleo diesel, conforme explicou Gabrielli, trará uma economia de US$ 145 milhões por ano. ''A diminuição do déficit da balança comercial é uma das principais vantagens do H-Bio'', enfatiza ele. Por enquanto, o cálculo é feito levando em conta a produção do combustível na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais, na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul, e na própria Repar. O investimento para a utilização do H-Bio nas três refinarias é de US$ 38 milhões.
A produção em escala industrial nas três refinarias deve começar a partir de dezembro de 2006 e durante o ano de 2007. A partir de 2008, no entanto, está previsto o uso do H-Bio em outras duas refinarias - o que representaria uma redução na importação do diesel de 25%. Atualmente, o Brasil importa 10% do volume de diesel consumido no País. Apesar do lançamento oficial dos testes com o H-Bio ter ocorrido na Repar, a Regap já havia realizado testes em março. Em outubro, os testes devem ser iniciados na Refap.
Mas a produção de combustível a partir do H-Bio, inicialmente, deverá ser de 256 mil metros cúbicos por ano nas três refinarias, representando apenas 1% do total de diesel produzido no País, o que ainda é considerado ''muito pouco'' pelo diretor da área de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa. ''Por causa da legislação, todo diesel poderá ter apenas 2% de biodiesel (óleo de origem vegetal) até 2008. A partir de 2013, a composição passa a ser de 5%. Mas já apresentamos os projetos do H-Bio à Agência Nacional de Petróleo para aumentar a porcentagem. Tem que haver mudança nas normas'', afirmou. A Petrobras já possui hoje cerca de 700 postos de combustíveis que oferecem o biodiesel.
Variações - O diretor informou que até 18% de óleo vegetal poderia ser adicionado ao óleo mineral. O índice, no entanto, é resultado de um teste feito na Regap e não deverá ser seguido nas cinco refinarias. ''O número irá variar de acordo com a capacidade de cada refinaria'', afirmou. No caso da Repar, a estimativa do engenheiro químico Jeferson Roberto Gomes, consultor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (Cenpes) da Petrobras, é que a mistura contenha 8,5% de óleo vegetal. O engenheiro liderou a equipe que desenvolveu o H-Bio e foi homenageado pelo presidente Lula ontem na Repar. A pesquisa em torno do novo processo começou há cerca de 18 meses.
O consultor garantiu ainda que o novo combustível seria menos poluente, ''devido à ausência de enxofre no óleo vegetal''. Ele explicou que o fato dos óleos vegetais possuirem oxigênio, ao invés de enxofre, faz com que eles tenham que passar por um ''hidrotratamento'', ou seja, uma reação química entre o óleo vegetal e o hidrogênio em alta pressão, o que resulta na retirada do oxigênio. A necessidade da reação foi critério de escolha das cinco refinarias, já que nos locais é cobrada a existência do equipamento de tratamento de hidrogênio.
Uma das vantagens do H-Bio, de acordo com o engenheiro, é que ''não há limitação quanto à origem do óleo vegetal''. Na primeira fase, cinco culturas estão sendo testadas. O óleo do dendê possui o maior rendimento, 20 mil kg/ha, mas é a soja a responsável pela maior produção de óleo no Brasil, mais de 5 milhões de metros cúbicos por ano. ''Ainda estamos vendo como será a compra dos óleos vegetais, mas o H-Bio certamente irá contribuir para o mercado agrícola'', afirmou o presidente da Petrobras.

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