Além de duas funções básicas e diretas corrigir tributos federais como o valor do Imposto de Renda atrasado e computar os juros quando um banco empresta dinheiro de outro a taxa Selic serve como referencial para as taxas de juros dos empréstimos pessoais, cartão de crédito, cheque especial e qualquer outro tipo de financiamento.
Esses índices são formados pela taxa de risco, o custo de capitação do dinheiro, somado à remuneração para os serviços internos do banco, chegando ao juro de mercado. ''Essa ação de embutir no valor dos juros o risco de mercado é o que se chama de spread'', explica o economista Renato Pianowski.
Ele informa que é dessa forma indireta que a Selic atinge o consumidor. ''Os bancos se baseiam nessas taxas e mesmo apenas o efeito psicológico provocado pela mudança ou manutenção do índice pode refletir nos juros de mercado. E se a Selic abaixar hoje, essas taxas vão abaixar proporcionalmente'', acredita.
De certa forma, conforme Pianowski, esses são produtos diferenciados e nesses serviços os bancos cedem dinheiro aos seus clientes e cobram ''o que podem e o que não podem'': ''o cartão tem uma certa garantia e o cheque tem outra para quem está recebendo esse dinheiro''.
Para exemplificar, o economista cita os empréstimos para aposentados. Hoje, essa linha de crédito é a que conta com as menores taxas de juros. O motivo? Baixo risco de calote. O valor do índice mensal está em média 1,80%. ''Além do fato de vários bancos disputarem esses clientes, por isso o juro baixo, o risco de mercado também é praticamente zero'', considera Pianowski. Esses clientes têm a estabilidade da aposentadoria e a ''certeza'' de receber esse pagamento todos os meses. (E.Z.)

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