Reestruturação do setor energético elimina chance de vender Copel
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2002
Vânia Casado <br>Equipe da Folha 
Curitiba - A reestruturação do sistema elétrico nacional, promovida pelo governo federal, sepulta de vez o leilão da Companhia Paranaense de Energia (Copel), pelo menos para este ano. A afirmação é do analista do setor de energia do Banco Sudameris, Marcos Severini. O ex-superintendente da Copel, João Carlos Cascaes, também afirma que a proposta do governo federal para o sistema elétrico nacional inibe interesse pelo leilão.
O retorno ao modelo intervencionista no sistema afasta a possibilidade das concessionárias públicas em reajustar suas tarifas dos atuais US$ 20 por MWhora para US$ 36 por MWhora, a partir de 2003 como estava previsto. O preço mínimo da Copel foi avaliado, considerando este cenário que pode não se concretizar mais, disse Severini.
Essa alteração influi diretamente sobre o preço mínimo fixado para a compra da estatal. Diante deste novo cenário, Severini acredita que se o governo do Paraná ainda assim quiser vender a Copel, terá que rever o preço mínimo para baixo e bem para baixo, sob pena de não encontrar mais os investidores interessados, destacou.
Além disso, o modelo de reestruturação do sistema elétrico eleva o risco dos investidores, que ficam mais resistentes em investir em novos empreendimentos, disse Severini. O analista lembra ainda, que com o novo modelo o governo federal que apoiava as privatizações retira totalmente esse apoio.
A decisão de não vender a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) sinaliza a posição do governo federal em relação às privatizações, analisa João Carlos Cascaes. O governo federal frustrou-se como o modelo liberal vigente até ontem e está mudando a filosofia adotada pelo setor. Havia a expectativa de que os investimentos externos iriam promover a concorrência entre as empresas privadas participantes do sistema elétrico brasileiro, e que iria haver maior concorrência o que provocaria a queda nas tarifas, a partir da liberalização total do setor.
Segundo Cascaes, o governo federal tinha a esperança que investidores de todo o mundo viriam investir na construção de novas usinas, haveria entrada de grande volume de dólares e oferta abundante de energia, previsões que não saíram do papel. Como não saíram do papel também a intenção do governo em reduzir as tarifas, porque não abriria mão desse controle. Nada disso aconteceu, disse.
Os grandes investidores ficaram mais interessados em comprar as empresas já existentes pelo menor valor possível e não se empolgaram em investir em novas estruturas. Com isso, a crise do apagão só não foi mais drástica porque o governo não contava com a ajuda da população, que foi decisiva para evitar o pior, afirmou Cascaes.
o governo do Paraná está avaliando as notícias sobre as mudanças do setor elétrico, mas ainda não se posicionou sobre o assunto, devendo se manifestar nos próximos dias, informou a Agência Estadual de Comunicação.


