Reestruturação de tarifas acirra a guerra dos postos
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quinta-feira, 20 de agosto de 1998
Pedro Livoratti 
A reestruturação das tarifas de combustíveis, em julho, que deveria provocar redução de até 3% no valor final do produto, acirrou a guerra entre os postos em Londrina. Como a redução aparentemente é pequena, alguns proprietários de postos, ao invés de alterar o valor nas bombas, estão apostando na qualidade do atendimento para manter a clientela. Como o preço da gasolina e do álcool é livre, para o consumidor vale o conselho de pesquisar preços para não pagar mais caro. De qualquer forma, é possível encontrar combustível com diferença de até R$ 0,07 por litro.
O proprietário do Via 7 Auto Posto, Laércio Scandelari, diz que ficou impossibilitado de reduzir o valor do combustível em seu estabelecimento depois das medidas anunciadas pelo governo, no mês passado. Mesmo sem alterar o valor, o comerciante afirma que não sentiu redução nas vendas. O consumidor está alerta às constantes notícias de adulteração de produtos, afirma. Para atender bem ao cliente, ele procura humanizar o atendimento. Ontem ele vendia gasolina a R$ 0,799 e álcool a R$ 0,573, à vista.
Já o proprietário do posto Santa Cruz, Eduardo Tomasetti baixou ontem cedo o valor da gasolina e do álcool e diz que conseguiu um aumento do consumo da ordem de 40% até o início da tarde. Com uma faixa anunciando a promoção para o pagamento à vista, o comerciante informou que reduziu a margem de lucro para melhorar o movimento nas bombas. Ele vendia à vista ontem a gasolina a R$ 0,725 e o álcool a R$ 0,505.
Consumidores têm telefonado à Folha para reclamar que, em Londrina, não ocorreram descontos significativos depois das medidas anunciadas pelo governo federal. Os preços não caíram, segundo um deles, porque está havendo uma guerra suicida entre os proprietários de postos.
Segundo um empresário do ramo, que não preferiu não se identificar, o consumidor deve estar atento. Não dá para fazer milagre. O próprio governo considera o valor de R$ 0,799 como base para o recolheimento do ICMS. Para ele, existe sonegação de impostos e adulteração de gasolina na cidade. Os postos operam com substituição tributária, ou seja, pagam alíquota de ICMS de 25%. Como podem pagar imposto em cima de R$ 0,799 e vender mais barato que isso?
O empresário afirma que os postos de Londrina compram gasolina das companhias distribuidoras por preços que variam de R$ 0,68 a R$ 0,70. Comprando por R$ 0,68 e vendendo por R$ 0,72, o posto tem R$ 0,04 de lucro. Como qualquer posto tem um custo fixo de R$ 15 mil, teria que vender 375 mil litros por mês para conseguir empatar com os custos. Mas a média de venda dos postos da cidade é de 100 mil litros/mês. (Colaborou Cláudia Lopes)


