O dólar voltou a despencar ontem com vendas por tesourarias de bancos e exportadores principalmente por causa do anúncio de reestruturação da dívida argentina e da renegociação de metas fiscais pelo país vizinho com o FMI. O pronto fechou cotado na venda a R$ 2,203, com queda de 1,83%. O resultado encolheu o ganho acumulado pelo dólar frente ao real neste mês para 2,32% e, no ano, para 12,92%.
Na Bolsa de Mercadorias & Futuros, a rolagem dos contratos futuros de dólar de maio assegurou ontem giro recorde do ano. O volume financeiro negociado somou R$ 18,07 bilhões (102.066 negócios), ante R$ 15,63 bilhões (137.315 negócios) registrados anteontem. Os contratos futuros de dólar projetaram quedas de 1,92%, para R$ 2,202, em 1º de maio; e de -1,81%, para R$ 2,226, em 1º de junho.
Além das melhores perspectivas com a Argentina e da recuperação da economia dos Estados Unidos, dois fatores internos também ajudaram a derrubar o dólar ontem: o leilão de papel cambial e o fraco impacto no mercado do depoimento na quinta-feira do senador Antônio Carlos Magalhães sobre a violação do sigilo do painel eletrônico do Senado.
No Estados Unidos, foi divulgado ontem o crescimento do PIB do primeiro trimestre, que ficou em 2%, acima das projeções do mercado, de 1%. Com essa reação da economia, muitos analistas acreditam que os EUA conseguiram se desviar da recessão. No entanto, isso não significa que eles tenham revisado as previsões de novos cortes nas taxas de juro norte-americanas. A pesquisa Dow Jones/CNBC entrevistou 21 primary dealers (bancos e instituições financeiras que operam diretamente com o Federal Reserve) e revela que 20 economistas acreditam que o Fed voltará a cortar as taxas de juro em sua próxima reunião, marcada para 15 de maio. A dúvida persiste apenas em relação ao tamanho de eventual corte.
No mercado à vista, o dólar comercial oscilou 1,50%, entre a mínima de R$ 2,202 (-1,87%) e a máxima de R$ 2,235 (+0,40%). O giro financeiro no D2 pronto somou cerca de US$ 1,653 bilhão, ante US$ 2,449 bilhões movimentados anteontem.(Silvana Rocha, Marisa Castellani e Márcia Pinheiro)

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