Nos últimos anos, muitas empresas brasileiras têm feito um enorme esforço para alcançar e até superar o nível de produção das suas concorrentes dos países desenvolvidos. O objetivo é competir em condições cada vez melhores, uma vez que estamos em um país cada vez mais aberto e sem protencionismos. Por isso, para usar uma metáfora cara aos americanos, nós, empresários, temos que nos comportar sempre como jogadores de golfe, buscando, com muito esforço, planejamento, concentração e estudo, melhorar constantemente nosso handicap. O golfe nos ensina que é possível progredir sempre, aprendendo com o exemplo dos líderes e desenvolvendo nosso próprio estilo de jogo. A abertura internacional, a globalização, o mundo sem fronteiras deixaram de ser uma realidade distante para o empresário brasileiro. Hoje, quem tem produto com boa qualidade e preço acessível pode oferecê-lo em qualquer parte do mundo - e muitas empresas brasileiras, de diferentes setores, já sentiram que concorrentes estrangeiros vêem com muito apetite o mercado brasileiro.
Mesmo diante dessa realidade, ainda há empresários que se perguntam se é realmente possível ter produtos de qualidade cada vez maior a preços cada vez menores, sem a proteção ou pelo menos um ‘‘empurrãozinho’’ do governo.
Felizmente, temos visto exemplos concretos de que é possível, sim, produzir a preços baixos e com qualidade. Empresas dos mais variados setores e portes estão conseguindo isso. Como?
Alguns dos aspectos mais importantes com que a empresa deve se preocupar são redução de custos, aumento de eficiência e da produtividade. Por outro lado, é preciso investir em modernização, agregar tecnologia e melhorar a qualidade.
A esse conjunto de medidas chamamos reengenharia. Muitas empresas, como a nossa, começaram a trabalhar nessa direção há alguns anos e já podem apresentar resultados muito significativos. Os ganhos obtidos são imensos, muito superiores aos obtidos com sistemas de melhoria contínua.
É preciso deixar claro, no entanto, que não bastam medidas cosméticas. Deve haver um compromisso da empresa como um todo para que determinadas metas sejam atingidas.
Na nossa empresa, por exemplo, esse processo envolveu medidas diversas, como a reformulação completa de nossa forma de produção, modernizando-a dentro do conceito que chamamos Three-Steps-Out - que significa que do recebimento da matéria-prima até a saída do produto não existem mais de três operações. O layout foi cuidadosamente planejado para que nada se mova mais de 10 metros na fábrica. Investimos na aquisição de novos equipamentos, na informatização, no desenvolvimento de sistemas mais sofisticados de controle de estoque, no aperfeiçoamento de nosso controle de qualidade, no treinamento de nossa equipe. Prosseguimos, ao mesmo tempo, o trabalho para a conquista da Certificação ISO 9000. Com isso, aumentamos nossa produção em cinco vezes, reduzindo, ao mesmo tempo, nosso pessoal operacional a 1/5 do contingente anterior. Essa reengenharia, muito bem-sucedida, possibilitou, assim, ganhos de 2.500%.
Hoje, podemos nos orgulhar de nossa competitividade, pois estamos produzindo com qualidade alemã e preço asiático. É isso que devem buscar as empresas brasileiras, se quiserem sobreviver na nova realidade de mercado.
- CARLOS ALBERTO BORGES é engenheiro e presidente da Makro Construções, fabricante do sistema integrado de cobertura e estrutura metálica Roll-on.

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