A expectativa em entidades empresariais e de economistas paranaenses é de que a reeleição de Dilma Rousseff à Presidência da República apresse o início de reformas ministerial e na política econômica do País já para este ano. A avaliação é de que há necessidade de sinalizar quais serão as medidas para o combate à inflação e para a retomada do crescimento, que poderiam acalmar agentes do mercado e atrair investidores. Como ela havia divulgado a saída de Guido Mantega da pasta da Fazenda para o próximo governo, a percepção é de que não precisaria aguardar janeiro de 2015 para substituí-lo.
A troca indicaria ainda se a presidente deve mudar o modelo de política econômica, que tem sido baseada no consumo interno, com o fortalecimento do setor produtivo. Integrante do Grupo Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Luciano D’Agostini afirma que o primeiro semestre do ano é quando são anunciados pacotes fiscais e monetários, que precisam estar costurados entre Dilma e o novo ministro. "E isso pode acalmar um pouco o mercado", diz, sobre as flutuações na Bolsa De Valores de São Paulo e a redução de investimentos empresariais.
Para ele, o perfil do novo ministro da Fazenda deveria ser de independência ante grupos empresariais e financeiros, como o presidente do Banco Central ou um pesquisador. "Se colocar um banqueiro, pode chamar o mercado a reduzir a volatilidade, mas seria mais uma vez alguém abraçado ao sistema financeiro, que tem interesses distintos em relação à melhoria da vida da população", afirma.
Vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Helio Bampi espera que seja escolhido um ministro com conhecimento e respeitado tanto pelo setor financeiro quanto pelo empresarial "o mais rapidamente possível". Com clareza sobre as regras para combate à inflação, para a retomada do crescimento do PIB e sobre políticas de juros, ele espera que o País reverta em 2015 a tendência à estagnação deste ano. "Depois, é preciso colocar um programa de governo que ataque os gargalos da economia, como a infraestrutura, a produtividade e as inovações tecnológicas."
Para o presidente da Federação do Comércio do Estado do Paraná, Darci Piana, não há problema em um nome ligado ao mercado financeiro. Ele cita a indicação de Henrique Meirelles à Presidência do Banco Central em 2002, então pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como eficaz. "Temos um ministro da Fazenda que perdeu a credibilidade e precisará ser um nome de responsabilidade, que coloque confiança no mercado financeiro."
O professor de economia Azenil Staviski, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), também cita Meirelles como exemplo de que há bons nomes em financeiras. "Existe polêmica, mas dentro de bancos temos executivos com grande conhecimento e, sendo alguém do mercado financeiro, o governo vai ganhar credibilidade."

Sem pistas
Mantega deu entrevista ontem, em Brasília, e não quis comentar nem mesmo o perfil de quem o substituirá. O ministro da Fazenda disse apenas que novas medidas de estímulo à produção devem ser feitas até o fim do ano e que há o compromisso com o fortalecimento fiscal. "Já temos perspectiva para 2015 de um resultado fiscal mais forte. Vamos continuar nos esforçando para aumentar a transparência da execução fiscal. Isso tem avançado bastante", afirmou. (Com Agência Estado)

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