Curitiba - A aprovação do novo estatuto da Associação Comercial do Paraná (ACP), instituindo a possibilidade de reeleição na entidade, causou racha entre empresários. Keizo Assahida, proprietário da BBK Consultoria, criticou a forma como o atual presidente, Marcos Domakoski, de olho em mais um mandato, conduziu o processo. A reeleição foi aprovada por aclamação anteontem, em jantar no Restaurante Madalosso, em Curitiba.
Assahida se revoltou contra o que ele denominou de ‘‘processo ilegal’’. O empresário classificou como ‘‘absurda’’ a forma como foi aprovado o estatuto, às vésperas da eleição para escolher uma nova diretoria. Segundo ele, ‘‘justamente numa época em que se espera mudanças para o País, um grupo organizado de empresários conseguiu cooptar pessoas para passar um rolo compressor sobre o estatuto vigente e se perpetuar no poder’’.
Keizo Assahida disse ontem à Folha que se sente envergonhado: ‘‘A classe que prega a transparência, a moralidade e faz exatamente o contrário. Com que cara vamos cobrar transparência de nossos governantes, se em nossa entidade de classe fazemos exatamente o contrário?’’ - questionou. Para o empresário, o grupo passou um ‘‘cheque em branco’’ para a atual diretoria.
Ele disse que a aprovação por aclamação contraria os critérios estabelecidos, que exigem a presença de 10% dos associados em condições legais para votar, como ser sócio há mais de 90 dias e estar em dia com as mensalidades. Além disso, segundo ele, havia cerca de 2 mil pessoas no restaurante onde os empresários se reuniram, e não foi separado quem tinha direito a voto dos demais participantes.
O presidente da ACP, Marcos Domakoski, não quis polemizar. Sua assessoria divulgou comunicado informando que o novo estatuto foi debatido durante três meses com o empresariado paranaense. Segundo a nota, a última reforma já tem uma década e ‘‘era preciso modernizar e atualizar as normas para agilizar os serviços prestados pela entidade’’. Além da reeleição do presidente por mais dois anos, foi aprovado também a parceria da ACP com institutos ou empresas e o desenvolvimento de novos serviços.
A justificativa oficial para a mudança é que após cinco mandatos consecutivos de dois anos, a entidade concluiu que esse tempo não era suficiente para consolidar as lideranças do comércio, nem para concluir um programa de gestão.

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