O próximo ano será de sacrifícios para que ocorra a redução da inflação e a retomada do crescimento econômico, diz o professor de economia Azenil Staviski, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele diz que não há fórmula mágica e que será preciso reduzir gastos públicos, mas elevar investimentos por parte do governo e da iniciativa privada. "São medidas antipáticas, mas necessárias. O governo vai ter de se comprometer com metas fiscais, arrecadando menos e investindo mais."
No caso, a menor incidência de impostos no setor produtivo seria a causa da arrecadação menor. A desoneração tem tido destaque na pauta de demandas do setor empresarial. "Temos percalços industriais como a questão da tributação excessiva, da oneração sobre investimentos, e é preciso uma reforma, uma simplificação tributária", diz o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Helio Bampi.
O presidente da Federação do Comércio do Estado do Paraná, Darci Piana, completa que a guerra fiscal entre estados prejudica o setor produtivo e também pressiona a inflação, porque a arrecadação ocorre antes da venda de produtos e reflete na composição dos preços. Para ele, porém, mais importante é tomar medidas de diálogo com os setores produtivos, de contenção da corrupção e apressar a conclusão de obras de infraestrutura. "Principalmente em linhas ferroviárias e portos, porque os custos que temos no transporte são grandes. Somos exportadores de commodities, mas o preço no mercado mundial caiu e é preciso cortar gastos."
Integrante do Grupo Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Luciano D’Agostini lembra ainda da necessidade de desvalorizar o real frente o dólar, para conter a importação e fortalecer as exportações. "É preciso também reduzir fortemente os juros, desde que se abra espaço fiscal para ajuste de contas públicas", diz. Assim, haveria fôlego maior para a indústria. (F.G.)

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