Curitiba - O secretário especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, ministro Jacques Wagner, saiu de Curitiba, ontem, com uma carta de reivindicações no bolso. Depois de sua palestra sobre ''A Retomada do Desenvolvimento'', dirigida a empresários da construção civil, o ministro ouviu as reclamações do setor que se diz um dos mais prejudicados pela política econômica.
Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Paulo Safady Simão, a produção da construção civil caiu 8,6% no ano passado, em relação a 2002. Um dos problemas, segundo ele, é a alta tributação do setor. ''Na construção de uma casa popular, 44% do valor vão para impostos'', reclamou. Os empresários propõem a criação de um imposto para o setor nos moldes do Simples, que hoje destina-se às microempresas.
O ministro, que esteve em Curitiba a convite do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon) e da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), comprometeu-se a levar as reivindicações à área econômica do governo. Para ele, o governo não deve se opor a criar uma alternativa para o setor, como já fez anteriormente para a indústria automobilística e a linha branca de eletrodomésticos, que tiveram redução tarifária.
Jacques Wagner traçou um quadro otimista para a política econômica. ''Os índices de maio apontam queda do desemprego, aumento no número de empregados com carteira assinada, o índice do IBGE, divulgado hoje (ontem) foi o maior crescimento na área industrial desde 1991. Portanto, a colheita está começando. Ainda temos problemas em alguns setores. A indústria da construção civil e o setor de alimentos ainda precisam de estímulo para crescer mais, mas tenho a convicção de que esse crescimento perdurará em 2004, 2005, 2006... É o projeto que o presidente Lula construiu. Em 2003, arrumamos a casa e agora tenho a convicção de que o que estamos vendo veio para ficar'', disse.
Questionado sobre o que o País precisa para estabelecer uma agenda nacional de desenvolvimento, segundo o ministro, o governo não consegue aumentar seus investimentos em produção porque seu orçamento é comprometido pelo pagamento de juros da dívida externa. ''É por isso o presidente Lula está apostando na lei da parceria público-privada, porque reconhece que o Estado não tem capacidade de investimento que o Brasil precisa, e essa é uma tentativa de atrair investimento privado'', disse.
Para isso, de acordo com ele, são necessárias ''margens regulatórias que façam o investidor se sinta seguro''. Como exemplos, citou a Lei da Falência e a Lei 3.065, que é a lei de financiamento habitacional, já aprovadas no Congresso. ''Portanto, estamos dando passos nesse sentido. Mas somos um País gigante, com problemas grandes, que estamos resolvendo aos poucos, para daí entrar na rota do desenvolvimento sustentável. Mas acho que em 18 meses de governo o resultado que temos hoje já é positivo. Ainda não foi feito tudo, tampouco o que o País precisa, mas são os primeiros passos.''

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