Redução revela a dificuldade do governo em reverter desaquecimento
A redução do IOF de 15% para 6% ao ano nos financiamentos de bens duráveis e aquisição de imóveis comerciais revela a dificuldade do governo em reverter o desaquecimento nas vendas. A avaliação é do economista Gilmar Mendes Lourenço, presidente da Comissão de Conjuntura e Informações Econômicas do Conselho Regional de Economia do Paraná. Para ele, é evidente a queda no faturamento e na produção industrial provocada pela elevação dos estoques pelo comércio. O desaquecimento da economia tem como consequência nefasta o desemprego e o déficit público, fatores que o governo não está conseguindo reverter, acrescentou.
Segundo o economista, desde quando o governo optou pela elevação dos juros e do imposto sobre operaçoes financeiras, o volume de operações de crédito direto ao consumidor caiu de R$ 8,6 bilhões em abril de 1997 para R$ 5,8 bilhões em abril de 1998, conforme dados da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimentos. Ainda no primeiro semestre de 98, as vendas das montadoras reduziram 14,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
O presidente do Sindicato das Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimentos do Paraná, Félix Bordin, aposta no incremento das vendas, principalmente dos produtos da linha branca. Segundo ele, os mais prejudicados pela elevação do imposto foram as classes menos favorecidas, que recorrem a financiamentos para adquirir bens duráveis.
A fuga do pagamento do IOF produziu estragos na economia, disse Lourenço. Nesse período ocorreu a proliferação de cheques pré-datados para fugir do pagamento do imposto e com isso cresceu a participação das grandes redes de varejos nos financiamentos direto ao consumidor. Com a escalada da inadimplência, o resultado foi a quebradeira de grandes grupos do varejo, concluiu.
facilidade para renegociar passivos de curto prazo
Na opinião de Lourenço, as medidas adotadas deverão facilitar a renegociação dos passivos no curto prazo, devendo resultar na queda dos níveis de inadimplência e dos riscos das operações de crédito. Mas enquanto a taxa média de juros cobrada dos consumidores na compra de bens duráveis estiverem altas, o quadro econômico não será alterado de forma relevante.Arquivo FolhaGilmar Lourenço, do Ipardes: risco menor nas operações de créditoVânia Casado





